terça-feira, 23 de novembro de 2010

Leituras Virtuais 6

Ânsia de bajular
Olavo de Carvalho mostra como até "opositores" ao PT não resistem em bajular Lula.

Socialismo del siglo XXI
Mario Vargas Llosa fala da esquerda latinoamericana e do tão propalado "socialismo do século XXI".

Marx e o pensamento dos outros
Marx, por Ipojuca Pontes.

Santíssima Trindade



Por fé e amor à Santíssima Trindade, posto esta belíssima pintura.

domingo, 14 de novembro de 2010

Mortificação, ignorância e preconceito



É notícia velha eu sei, mas o assunto é perene.

Há meses, vi no G1 esse artigo sobre a srta. Sarah Cassidy, e seu uso diário de “arame farpado” para controlar desejos sexuais. Nunca dantes ouvi falar dessa distinta mulher.

Pelo teor do texto, suspeitei de uma abordagem enviesada e resolvi pesquisar um pouco mais. Como já suspeitava, a história era diferente: Cassidy e uma numerária inglesa do Opus Dei, e que por isso usa todos os dias um antigo instrumento de mortificação chamado cilício.

Ora, cilício não é arame farpado. É uma espécie de cinto de ferro com várias pontas viradas para o lado de dentro. Existem cilícios para os braços, o tronco e as pernas. É este último que é usado pela srta. Sarah Cassidy e pelos numerários do Opus Dei em geral.

Bom, pergunto eu: que mal há nisso? Que mal há no facto de uma mulher católica devota fazer uso de uma antiga prática aprovada pela Igreja e que, segundo alguns bem mais versados na matéria do que o jornalista do G1, traz tantos benefícios espirituais?

A reportagem do Daily Mail sobre o caso foi mais honesta, mas também não deixou de ter lá seus preconceitos anticatólicos que, suspeito, sejam comuns no Reino Unido(nem falo de várias opiniões deixados na caixa de comentários por vários leitores). O principal, pelo menos que pude perceber, era um pensamento assim: “que desperdício de vida! Não é esrranho que mulheres educadas e bem sucedidas façam isso e acreditem nessas coisas?”. Bom, isso é bizarro para a mentalidade materialista e hedonista que ocupa largos espaços no mundo ocidental moderno, sendo a Grã-Bretanha um dos casos mais pronunciados. Para ela, o sacrifício e mesmo o desconforto são sempre ruins, males em si mesmo, e que se tornam ainda mais estranhos quando são ofertados a Deus. Sacrificar-se por Deus, mesmo que seja um pequeno sacrifício, é esquisito. Ceder aos próprios instintos, caprichos e impulsos, no matter what, isso sim é coisa de gente normal. Fossem a srta. Sarah Cassidy e suas colegas numerárias de seu centro feminino londrino lésbicas, abortistas e promotoras do “amor livre”, duvido muito se causaria tamanha estranheza.

No mais, ao jornalista do G1: não se preocupe por ela ser diretora de uma escola primária. Suas crenças e praticas não a desabilitam para a função que exerce. É bem possível até que ela a faça com qualidade exemplar.

sábado, 13 de novembro de 2010

Com atraso, sobre as eleições...



Depois comento mais. Só adianto que as perspectivas nunca foram tão sombrias.

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Vídeos Interessantes

Frei Boffetada

Frei Boff reagindo violentamente contra uma entrevista que o questiona mui levemente.


Discussão entre Dilma Rousseff e Miriam Leitão [CBN 2010]

Dilma mostrando seu despreparo e arrogância ao ser questionada sobre a dívida brasileira.


José Serra partiu para o pau contra a Dilma e o PT

Nivaldo Cordeiro comenta o pecado mortal do PSDB.

A economia brasileira à pleno vapor

Dívida pública sobe 0,5% em setembro, para R$ 1,62 trilhão

A dívida pública federal, o que inclui os endividamentos interno e externo, subiu 0,5% em setembro deste ano, quando atingiu o valor de R$ 1,62 trilhão, informou nesta quinta-feira (21) a Secretaria do Tesouro Nacional. Em agosto, a dívida estava em R$ 1,61 trilhão. O crescimento registrado foi de R$ 8 bilhões.

Agora, quase não me contenho de curiosidade para saber como o sucessor de Lula vai reagir quando essa bomba estourar no seu colo.

sábado, 9 de outubro de 2010

Profetização do Fim da Canção Nova

A pedido de um amigo, publico aqui esse importante texto de autoria de sua noiva:

«Maldito o homem que confia no homem e se apóia num braço de carne e cujo coração se retira do Senhor. Porque será como as tamargueiras no deserto e não verá chegar o bem, mas habitará em secura no deserto, numa terra salobra e inabitável» (Jr 17,5-6).

O envolvimento do PT com políticas pró-aborto e as tentativas de legalização desse crime hediondo, tornando-o um direito das mães de matarem a prole é fato conhecido e notificado com todas as provas documentais que se possa imaginar. Um exemplo notório é o PL 1135/91 que prevê a legalização do aborto até o fim da gestação e que foi elaborado por COMISSÃO DO GOVERNO DO PT.


Além de tudo, o Partidão está prevendo censura e outras aberrações em um pacote chamado “Plano de Direitos Humanos”.


Isso tudo foi denunciado pelo Pe. José Augusto. Em link retirado do ar pela Canção Nova, porque esta fez questão de dizer que suas opiniões não manifestavam a opinião da instituição. As opiniões do bravo Pe. José Augusto eram contra o aborto, contra a união civil de homossexuais, contra a censura à imprensa, contra a legalização das drogas e contra a covardia dos católicos que, acomodados, não se preocupam em lutar pela cristianização da sociedade com um voto consciente sobre o quê está sendo planejando para o Brasil com o Plano de Direitos Humanos do PT subscrito por Dilma:


Veja algumas palavras do Pe. José Augusto:


“Chega de sermos católicos mornos, frios e medrosos! [...] Como é que nós ficamos assim, como se nada tivesse acontecendo, numa boa, com medo de perder isso, medo de perder aquilo… que perca tudo! Nós só não podemos perder é Jesus Cristo nessa vida. E a nação brasileira tem que ser uma nação cujo Deus é o Senhor!”.

Mas as opiniões do Pe. José Augusto não manifestam a opinião da Canção Nova. Isso não soa sombrio? A coisa está tão feia que o Pe. Joãozinho da Canção Nova ainda faz apelo contra os bispos de Cristo e insinua claramente ser um cabo eleitoreiro da Dilma:


http://blog.cancaonova.com/padrejoaozinho/2010/10/07/o-momento-politico-e-a-religiao/


O caso clínico Gabriel Chalita


Gabriel Chalita foi eleito porque tinha 4 anos de propagandas eleitorais gratuitas fornecidas pela Canção Nova através de um programa que ele coordenava no canal. Hoje, Chalita zomba dos Bispos fiéis ao Magistério da Igreja, chamando-os de “boateiros”, esse vídeo do Chalita é o mais nojento que eu já vi, o mais asqueroso dos seus pronunciamentos contra a verdade:



http://www.youtube.com/watch?v=xS2pv2z8BP4


O que a Canção Nova fez? Não deu um pronunciamento sobre toda a contra propaganda do atual deputado federal Chalita à Igreja de Cristo, que lhe deu abrigo e acolhimento para que pudesse se eleger no Estado de São Paulo. Mas e quanto ao Pe. José Augusto? A Canção Nova lhe deu a palma da censura. Realmente, deduz-se muito tristemente qual a verdadeira opinião da Canção Nova. Ela varia segundo a quantidade de dinheiro que lhe prometem pagar. Está prostituída, vendida e idolatra o bezerro de ouro. Ela confia nos homens (e em um homem como Gabriel Chalita que já provou ser um traidor da pior espécie). Canção Nova perdeu o temor de Deus para confiar seus porcos centavos a homens. A providência divina lhe fez perder a paciência, Canção Nova quer um cachê generoso do Chalita e da Dilma.



Canção Nova e Padre Antônio Vieira


Mas qual a diferença entre o que a Canção Nova fez e o que os judeus fizeram quando escolheram que se crucificasse o filho do Deus Vivo em troca de um sossego com o governo que comandava sua terra? Pe. Antônio Vieira explica:

“Sendo este conselho tão político, e sendo tão políticos os seus conselheiros, que se seguiu de todas estas políticas? O que se seguiu foi a destruição de Jerusalém, a destruição de toda a República dos Hebreus, a destruição dos mesmos pontífices e fariseus que fizeram o conselho. E por quê? Porque, tendo o conselho tanto de político, não teve o que devia ter de cristão: antes todo ele foi contra Cristo: Collegerunt pontifices et pharisaei concilium adversus Jesum (Jo 11,47). Estas palavras: adversus Jesum, não são do texto, senão da glossa da Igreja. Notai, diz a Igreja, que este conselho foi contra Cristo. E de um conselho contra Cristo que se podia esperar, senão a destruição do mesmo conselho, dos mesmos conselheiros, e de toda a república, que por tais meios pretenderam defender e sustentar? E assim foi. O fundamento político de toda a resolução que tomaram de matar a Cristo foi este: Si demittimus eum sic, venient Romani, et tollent locum nostrum, et gentem (Jo. 11, 48): Se deixamos este homem assim; todos o hão de aclamar por rei, e se se souber em Roma que nós temos rei contra a soberania e majestade do Império Romano, hão de vir contra nós os romanos, e hão de tirar-nos dos nossos lugares, e hão de destruir a nossa gente e a nossa república: pois morra este homem, para que nos não percamos todos.”

“Pois morra Cristo, para que não nos percamos todos”: é isso o que a Canção Nova pensa em fazer? Esconder a morte de inocentes, esconder os planos maquiavélicos de imoralidade previstos pelo Governo do PT? Para que a Canção Nova continue fazendo seu programa de TV diário com segurança e sobretudo dinheiro, e sobretudo com Gabriel Chalita mostrando sua cara cínica na TV? Isso tudo para que morra o Cristo? Crucificando o Cristo? Desfigurando a Igreja de Deus?

Pe. Vieira explica em que resulta política tão obtusa:

“Mas vede como lhes saiu errada esta sua política. Matemos este homem por que nos não percamos todos, — e perderam-se todos, porque mataram aquele homem; — matemos este homem por que não venham os romanos, e tomem Jerusalém, — e porque mataram aquele homem, vieram os romanos e tomaram Jerusalém, e não deixaram nela pedra sobre pedra.
Que é de Jerusalém? Que é da República Hebréia? Quem a destruiu? Quem a dissipou? Quem a acabou? Os romanos. Eis aqui em que vêm a parar os conselhos e as políticas, quando as suas razões de estado são contra Cristo.”

Eu não profetizo que a Canção Nova vai cair, quem o profetiza é o Pai do Brasil, Pe. Antônio Vieira, ela vai afundar como assim ocorreu com a Jerusalém dos judeus da época da morte de Cristo. A Canção Nova está sob maldição. E isso basta ver, pensar e refletir porque Deus fala conosco através da consciência. E se “a consciência” da Canção Nova ainda não está pesada, vai ficar em breve. Digo mais: se Dilma ganhar, a primeira instituição que comerá da bolota dos porcos vai ser a Canção Nova. E eu não vou rir disso, mas vou lamentar um desfecho tão óbvio. Porque não me rio da desgraça de nenhum irmão:

“E vós temeis mais a potência dos romanos que a justiça de Deus? Pois castigar-vos-á a justiça de Deus com a mesma potência dos romanos. E vós entregais a Cristo aos soldados romanos para que o prendam e crucifiquem, pois Cristo vos entregará aos soldados romanos, para que vos cativem, vos matem e vos assolem. E vós antepondes a amizade do imperador dos romanos à graça de Deus; pois Deus fará que os imperadores romanos sejam os vossos mais cruéis inimigos, e que venha Tito e Vespasiano a conquistar-vos e destruir-vos. De maneira que todas as políticas dos pontífices e fariseus se converteram contra eles, e das resoluções do seu mesmo conselho se formaram os instrumentos da sua ruína. Disto lhes serviu o temor, o respeito, a dependência e a amizade dos romanos. E este foi o desastrado fim daquele conselho, merecedor de tal fim, pois tinha elegido tais meios.”

Convertei-vos enquanto existe tempo. Porque a verdadeira política é o temor de Deus:

“Senhor. A verdadeira política é o temor de Deus, o respeito de Deus, a dependência de Deus e a amizade de Deus, e a verdadeira arte de reinar é guardar sua Lei.”



Emanuelle Carvalho Moura



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Sermão da 6a Sexta-Feira da Quaresma de 1662



Padre Antônio Vieira



parte VII





Sendo este conselho tão político, e sendo tão políticos os seus conselheiros, que se seguiu de todas estas políticas? O que se seguiu foi a destruição de Jerusalém, a destruição de toda a República dos Hebreus, a destruição dos mesmos pontífices e fariseus que fizeram o conselho. E por quê? Porque, tendo o conselho tanto de político, não teve o que devia ter de cristão: antes todo ele foi contra Cristo: Collegerunt pontifices et pharisaei concilium adversus Jesum (Jo 11,47). Estas palavras: adversus Jesum, não são do texto, senão da glossa da Igreja. Notai, diz a Igreja, que este conselho foi contra Cristo. E de um conselho contra Cristo que se podia esperar, senão a destruição do mesmo conselho, dos mesmos conselheiros, e de toda a república, que por tais meios pretenderam defender e sustentar? E assim foi. O fundamento político de toda a resolução que tomaram de matar a Cristo foi este: Si demittimus eum sic, venient Romani, et tollent locum nostrum, et gentem (Jo. 11, 48): Se deixamos este homem assim; todos o hão de aclamar por rei, e se se souber em Roma que nós temos rei contra a soberania e majestade do Império Romano, hão de vir contra nós os romanos, e hão de tirar-nos dos nossos lugares, e hão de destruir a nossa gente e a nossa república: pois morra este homem, para que nos não percamos todos. Mas vede como lhes saiu errada esta sua política. Matemos este homem por que nos não percamos todos, — e perderam-se todos, porque mataram aquele homem; — matemos este homem por que não venham os romanos, e tomem Jerusalém, — e porque mataram aquele homem, vieram os romanos e tomaram Jerusalém, e não deixaram nela pedra sobre pedra. Que é de Jerusalém? Que é da República Hebréia? Quem a destruiu? Quem a dissipou? Quem a acabou? Os romanos. Eis aqui em que vêm a parar os conselhos e as políticas, quando as suas razões de estado são contra Cristo. Santo Agostinho: In contrarium eis vertit malum consilium: Vede, diz Agostinho, o mau conselho como se converteu contra os mesmos que o tinham tomado: Ut possiderent, occiderunt, et quia occiderunt, perdiderunt: para conservarem a república, mataram a Cristo, e porque mataram a Cristo, perderam a república. — Oh! quantas vezes se perdem as repúblicas, porque se tomam por meios de sua conservação ofensas de Cristo! Quem aconselha contra Deus, aconselha contra si. E os meios que os homens tomam para se conservar, se são contra Deus, esses mesmos tomam Deus contra eles, para os destruir.



Muitas vezes castigou Deus a República Hebréia, em todos os estados e em todas as idades, por diferentes nações. Deixo os cativeiros particulares no tempo dos Juízes pelos madianitas, e no tempo dos reis pelos filisteus. Vamos aos cativeiros gerais. O primeiro cativeiro geral, em tempo de Moisés, foi pelos egípcios; o segundo cativeiro geral, em tempo de Oséias, foi pelos assírios; o terceiro cativeiro geral, em tempo de Jeconias, foi pelos babilônios; o último cativeiro geral, depois de Cristo, que é o presente, foi pelos romanos. E por que ordenou Deus que os executores deste último cativeiro fossem os romanos, e não por outra nação? Não estavam ainda aí os mesmos egípcios, os etíopes, os árabes, os persas, os gregos e os macedônios, que eram as nações confinantes? Pois por que não ordenou Deus que os executores deste cativeiro fossem estas, ou outra nação, senão os romanos? Para que visse o mundo todo que a causa deste castigo foram as políticas deste conselho. Ora vede.



Três resoluções tomaram estes conselheiros para conservação da sua república, todas três fundadas no temor, no respeito, na dependência e na amizade dos romanos. A primeira notou S. Gregório, a segunda S. Basílio, a terceira Santo Ambrósio. Deixo as palavras por não fazer o discurso mais largo. A primeira resolução foi que, se Cristo continuasse com aquele séquito e aplauso e com as aclamações de rei que lhe dava o povo, viriam os romanos sobre Jerusalém: Si dimittimus eum sic, venient romani (Jo 11,48). A segunda resolução foi entregarem a Cristo aos soldados romanos, porque eles foram os que o

prenderam no Horto e o crucificaram: Judas vero, cum accepisset cohortem (Jo 18,3), que era uma das coortes romanas. A terceira resolução foi persuadirem a Pilatos, governador de Judéia posto pelos romanos, que, se livrava a Cristo, perdia a amizade do César: Si hunc dimittus, non es amicus Caesaris (Jo 19,12). Ah! sim! E vós temeis mais a potência dos romanos que a justiça de Deus? Pois castigar-vos-á a justiça de Deus com a mesma potência dos romanos. E vós entregais a Cristo aos soldados romanos para que o prendam e crucifiquem, pois Cristo vos entregará aos soldados romanos, para que vos cativem, vos matem e vos assolem. E vós antepondes a amizade do imperador dos romanos à graça de Deus; pois Deus fará que os imperadores romanos sejam os vossos mais cruéis inimigos, e que venha Tito e Vespasiano a conquistar-vos e destruir-vos. De maneira que todas as políticas dos pontífices e fariseus se converteram contra eles, e das resoluções do seu mesmo conselho se formaram os instrumentos da sua ruína. Disto lhes serviu o temor, o respeito, a dependência e a amizade dos romanos. E este foi o desastrado fim daquele conselho, merecedor de tal fim, pois tinha elegido tais meios.



Senhor. A verdadeira política é o temor de Deus, o respeito de Deus, a dependência de Deus e a amizade de Deus, e a verdadeira arte de reinar é guardar sua Lei. Os políticos antigos estudavam pelos preceitos de Aristóteles e Xenofonte; os políticos modernos estudam pelas malícias de Tácito, e de outros indignos de se pronunciarem seus nomes neste lugar. A verdadeira política, e única, é a Lei de Deus. Ouvi umas palavras de Deus no capítulo 17 do Deuteronômio, que todos os príncipes deviam trazer gravadas no coração: Cum sederit rex in solio regni sui, describet sibi Deuteronomium legis hujus, legetque illud omnibus diebus vitae suae, ut discat timere Deum, neque declinet in partem dexteram, vel sinistram, ut longo tempore regnet ipse, et filii ejus (Dt. 17,18 ss). Tanto que o rei, diz Deus, se assentar no trono do seu reino, a primeira coisa que fará, será escrever por sua própria mão esta minha Lei, e a lerá todos os dias de sua vida, para que aprenda a temer a Deus, e não se apartará dela um ponto, nem para a mão direita, nem para a esquerda, e deste modo conservará o seu reino para si e para seus descendentes. — Pois, Senhor, esta é a arte de reinar, este são os documentos políticos, e estas são as razões de estado que dais ao rei do vosso povo para sua conservação e para perpetuidade e estabelecimento de seu império? Sim. Estas são, e nenhumas outras. Saber a Lei de Deus, temer a Deus, guardar a Lei de Deus, e não se apartar um ponto dela. Se Aristóteles sabe mais que Deus, sigam-se as políticas de Aristóteles. Se Xenofonte sabe mais que Deus, imitem-se as idéias de Xenofonte. Se Tácito fala mais certo que Deus, estudem-se as agudezas e sentenças de Tácito. Mas se Deus sabe mais que eles, e é a verdadeira e única sabedoria; estudem-se, aprendam-se, e sigam-se as razões de estado de Deus.



Não digo que se não leiam os livros, mas toda a política sem a Lei de Deus é ignorância, é engano, é desacerto,

é erro, é desgoverno, é ruína. Pelo contrário, a Lei de Deus só, sem nenhuma outra política, é política, é ciência, é acerto, é governo, é conservação, é seguridade. Toda a política de um rei cristão se reduz a quatro partes e a quatro respeitos: do rei para com Deus, do rei para consigo, do rei para com os vassalos, do rei para com os estranhos. Tudo isto achará o rei na Lei de Deus. De si para com Deus, a religião; de si para consigo, a temperança; de si para com os vassalos, a justiça; de si para com os estranhos a prudência. Para todos estes quatro rumos navegará segura a monarquia, se os seus conselhos levarem sempre por norte a Deus, e por leme a sua Lei: Consiliorum gubernaculum lex divina, disse S. Cipriano. Os conselhos são o governo da república, e a Lei de Deus há de ser o governo dos conselhos. Conselho e república que se não governa pela Lei de Deus, é nau sem leme. Por isso o reino de Jeroboão, de Bassa, de Jeú, e de tantos outros, fizeram tão miseráveis naufrágios.



O mais político e o mais prudente rei que lemos nas Histórias Sagradas foi Davi. E qual era o seu conselho? Ele o disse: Consilium meum justificationes tuae (Sl. 118,24): O meu conselho, Senhor, são os vossos mandamentos. — Oh! que autorizado conselho! Oh! que prudentes conselheiros! O conselho: a Lei de Deus, os conselheiros: os dez mandamentos. De Aquitofel, aquele famosíssimo conselheiro, diz o texto que eram os seus conselhos como oráculos e respostas de Deus: Tanquam si quis consuleret Dominum (2Sam 16,23). Os Mandamentos de Deus, que eram os conselheiros de Davi, não são como oráculos, senão, verdadeiramente oráculos de Deus. E quem se governar pelos oráculos de Deus, como pode errar? Quando Cristo apareceu a el-rei D. Afonso Henriques, e lhe certificou que queria fundar e estabelecer nele e na sua descendência um novo império, assim como disse a Moisés: Ego sum qui sum: Eu sou o que sou — assim o disse àquele primeiro rei: Eu sou o que edifico os reinos e os dissipo: Ego edificator, et dissipator regnorum sum. Nestas duas máximas resumiu Cristo todas as razões de estado por onde queria se governasse um rei de Portugal. Deus é o que dá os reinos, e Deus é o que os tira. O fim de toda a política é a conservação e aumento dos reinos. Como se hão de conservar os reinos, se tiverem contra si a Deus, que os tira, e como se hão de aumentar os reinos, se não tiverem por si a Deus, que os dá? Se não tivermos contra nós a Deus, segura está a conservação; se tivermos por nós a Deus, seguro está o aumento: Pone me juxta te, et cujusvis manus pugnet contra me (Jó 17,3), dizia Jó, que também era rei: Ponha-me Deus junto a si, e venha todo o mundo contra mim. — Se tivermos de nossa parte a Deus, ainda que tenhamos contra nós todo o mundo, todo o mundo não nos poderá ofender; mas se tivermos a Deus contra nós, ainda que tenhamos todo o mundo da nossa parte, não nos poderá defender todo o mundo. Fazer liga com Deus ostensiva e defensiva, e estamos seguros. Eis aqui o erro fatal deste mal-aconselhado conselho dos pontífices e fariseus: por se ligarem com os romanos, apartaram-se de Deus, e porque não repararam em perder a Deus, por conservar a república, perderam a república e mais a Deus. Iste homo multa signa facit (Jo 11,47): Este homem, diziam, faz muitos sinais. — Chamavam sinais aos milagres de Cristo, e, ainda que acertaram o número aos milagres, erraram a conta aos sinais. Os milagres eram muitos, mas os sinais não eram mais que dois. Se seguissem a Cristo, sinal de sua conservação: se o não seguissem, sinal de sua ruína. Cada milagre daqueles era um cometa que ameaçava mortalmente a República Hebréia, se não cresse, e ofendesse a Cristo. E assim foi.



Príncipes, reis, monarcas do mundo, se vos quereis conservar, e a vossos estados, se não quereis perder vossos reinos e monarquias, seja o vosso conselho supremo a Lei de Deus. Todos os outros conselhos se reduzam a este conselho, e estejam sujeitos e subordinados a ele. Tudo o que vos consultarem vossos conselhos e vossos conselheiros, ou como necessário à conservação, ou como útil ao aumento, ou como honroso ao decoro, à grandeza e à majestade de vossas coroas, seja debaixo desta condição infalível: se for conforme à Lei de Deus, aprove-se, confirme-se, decrete-se e execute-se logo; mas se contiver coisa alguma contra Deus e sua Lei, reprove-se, deteste-se, abomine-se, e de nenhum modo se admita nem consinta, ainda que dele dependesse a vida, a coroa, a monarquia. O rei em cuja consciência e em cuja estimação não pesa mais um pecado venial que todo o mundo, não é rei cristão. Quid prodest homini, si universum mundum lucretur, animae vero suae detrimentum patiatur. Que lhe aproveitará a qualquer homem, e que lhe aproveitou a Alexandre ser senhor do mundo, se perdeu a sua alma? Perca-se o mundo, e não se arrisque a alma; perca-se a coroa e o cetro, e não se manche a consciência; perca-se o reino da terra, e não se ponha em contingência o reino do céu. Mas o rei, que por não pôr em contingência o reino do céu, não reparar nas contingências do reino da terra, é certo e infalível que por esta resolução, por este valor, por esta verdade, por este zelo, por esta razão e por esta cristandade, segurará o reino da terra e mais o do céu, porque Deus, que é o supremo senhor do céu e da terra, nesta vida o estabelecerá no reino da terra, pela firmeza da graça, e na outra vida o perpetuará no reino do céu, pela eternidade da glória.

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Lula, aborto e eleições

Lula: priorizar aborto é 'baixar nível da campanha'

Qui, 07 Out, 07h40
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva assumiu o papel de cabo eleitoral da candidata à Presidência Dilma Rousseff (PT) hoje, em entrevista coletiva, no Rio de Janeiro. Perguntado sobre a questão do aborto, disse que Dilma já se manifestou sobre isso e que "tem gente no submundo que baixa o nível da campanha ao priorizar este assunto".

"Eu sofri este tipo de pressão em 1989, quando criticaram minha barba, a estrela, a cor vermelha do PT. Disseram até que eu ia acabar com as igrejas evangélicas, mas não tem um pastor neste País que não venha me agradecer pelo que eu fiz pela liberdade religiosa", afirmou, olhando diretamente para o Bispo Crivella.



É claro que é baixar o nível, Sr.Presidente: o senhor não quer que se saiba que há anos o seu partido tem na legalização do aborto uma meta a ser cumprida e nem que a sua candidata já declarou que a legalização do aborto no Brasil deveria ser feita já, pois é uma "questão de saúde pública". E compreensível: como mais de 80% da população brasileira é contra o aborto, se sua sucessora levantar essa bandeira, como vai vencer o pleito?

Momento Campanha Eleitoral*

CHEGA DE SUBVERSÃO !!!

Chega de aborto, promoção da viadagem e da esculhambação!

CHEGA DE BAIXEZA!

Cristãos, a vitória é NOSSA.

VOTANDO NO SERRA, não estamos apoiando-o, mas votando CONTRA DILMA, daremos um recado aos nossos governantes, inclusive ao SERRA, para não fazer besteira depois de eleito.

UM SIM A DEUS, UM SIM À MORALIDADE, eis o voto do cristão. Este voto é para SERRA não porque ele é SERRA, mas porque foi quem restou para nos dar algum tempo para nos unirmos mais ainda e ensinarmos a todos os próximos presidentes que os brasileiros são cristãos de verdade.

VOTE CONTRA A INIQUIDADE E SEREMOS VENCEDORES !!!



*De autoria de meu amigo André Oliveira.

Bibliografia Jurídica by Olavo de Carvalho

Por indicação de um amigo, ouvi o True Outspeak da segunda-feira, dia 04 de Outubro. Qual não foi a minha grata surpresa quando eu uvi Olavo de Carvalho indicar uma bibliografia importante para os estudantes e operadores do Direito em geral! Eis que a transcrevo aqui para vocês:

*Os Princípios Filosóficos do Direito Político Moderno – Simone Goyard-Fabre
*Os Fundamentos da Ordem Jurídica - Simone Goyard-Fabre
*Filosofia del Diritto – Igino Petrone
*Princípios de Direito Constitucional Geral – Santi Romano
*Lições de Filosofia do Direito (2 vols) – Giorgio Del Vecchio
*Aspectos Jurídicos do Capitalismo Moderno – Georges Ripert
*Lógica Jurídica – Chaim Perelmam
*A Evolução do Direito – Rudolph von Ihering
*Filosofia do Direito – Miguel Reale
*Lições Preliminares de Direito - Miguel Reale

Caríssimos leitores, e especialmente os colegas juristas, enjoy it!