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quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Sobre concursos públicos e concurseiros

Há entre algumas pessoas no Brasil, especialmente entre que simpatizantes do pensamento político liberal, uma tendência a menosprezar o funcionalismo público e, por tabela, os concurseiros, tachando-os de preguiçosos, pouco competentes e naturalmnte menos capacitados do que os funcionários da iniciativa privada.

Trata-se de um erro crasso, estereótipo de uma figura que até que podia ter alguma substancialidade tempos atrás, mas que já passou. Além de que isso é, na melhor ds hipóteses, um liberalismo caricaturizado que revela ignorância do liberal que o sustenta (lembremos, por exemplo de que Adam Smith era um burocrata. Isso para não falar de Roberto Campos, J. O. Meira Penna e J. Guilherme Merquior), os factos mostram o seguinte:

1)A idéia de que a iniciativa privada valoriza a personalidade e a paixão do empregado enquanto que o serviço público anula o indivíduo, transformando em mero cumpridor de ordens é estereotipada e falsa. Nem sempre empresários gostam de funcionários com iniciativa e personalidade (conheço pessoalmente uns assim), bem como, sem paixão, como se manter e crescer trabalhando no Serviço Diplomático, na Magistratura, ou na Polícia Federal, por exemplo?

2)Há muito que a Administração Pública vem acolhendo métodos da iniciativa privada para melhorar sua eficiência, como exigir qualificação contínua de seus quadros e estabelecer metas de produtividade (o órgão em que um primo meu trabalha, por exemplo, faz isso). Seguindo por essa via, a tendência é a de que a imagem da Administração Pública como o destino dos preguiçosos desapareça, por falta de correspondência com a realidade;

3)Tampouco faz sentido dizer que “para ser funcionário público, basta fazer uma provinha”. Quem quer que tenha contato com concurseiros sabe o quanto é preciso estudar para passar em algum certame, especialmente os mais duros, como o do IRBr para a carreira diplomática, das magistraturas ou para Auditor Fiscal da Receita Federal. Quem diz aquilo por acaso já tentou passar num concurso desses, ainda que fosse só para ter alguma ciência do que diz?

4)Falam também em preparo. Isso, obviamente, depende do cargo aspirado. A maioria das pessoas que conheço planeja uma carreira na área jurídica, ou na Receita Federal, Serviço Diplomático ou Magistério Superior. Alguém, dentre os críticos, tem alguma idéia do nível necessário para ser aprovado no concurso para qualquer dessas carreiras? Os certames para Auditor da Receita Federal, por exemplo, nunca conseguem preencher as vagas ofertadas, tão alto é o nível do teste. Para o candidato à diplomata, por exemplo, é preciso, logo no começo, saber inglês fluentemente, ter ótima proficiência em Francês e Espanhol, disponibilidade para aprender outros idiomas, além de conhecimento sólido de Economia, Direito, Ciência Política, Relações Internacionais, etc. Abundam profissionais assim na iniciativa privada?

5)Há também quem ache que funcionários públicos são “pífios”. Como? Juízes, promotores de justiça, diplomatas, professores de universidades estaduais e federais, militares e outros são “pífios2 pelo simples facto de serem funcionários públicos? Cadê a base concreta disso?

6)Tempos atrás se dizia que só quem não realizava sua vocação trabalhava no serviço público. Ué, é tão estranho assim conceber que alguém possa ter vocação para juiz, desembargador, promotor de justiça, militar, diplomata, etc?

7)Como ficam aqueles que se sentem vocacionados a profissões EXCLUSIVAS do serviço público? O que dizer a quem quer ser juiz, policial, promotor público ou diplomata? Que procurem seus arremedos (grosseiros) na iniciativa privada?

8)Os que dizem “não façam concursos públicos! Trabalhem na iniciativa privada” já pensaram, por um minuto sequer, que quem seguir seu conselho restringirá artificialmente suas chances de inserção profissional? Ou pretendem ajudar doutra forma quem tenha dificuldade de arrumar um emprego por põr em prática suas opiniões profissionais?

9)Caso especial do ponto anterior: como ficam aqueles que se prepararam em cursos com pequeno mercado de trabalho (Filosofia, Sociologia, Matemática, etc)? Devem diminuir ainda mais suas pequenas chances de ober um emprego porque uns acham que, trabalhando para o Estado, não verão valorizadas sua “paixão e personalidade”?

10)Finalmente, a questão financeira. Como acadêmico de Direito, vejo que a advocacia, para os iniciantes, não costuma ser uma atividade muito rentável (não é raro encontrar escritórios que oferecem um salário entre 800 e 1000 reais para um advogado em começo de carreira). Isso para quem se dispõe a morrer de trabalhar, de manhã até a noite (alguns escritórios não querem que seus advogados façam certos serviços em horário laboral, como a petição inicial e pedem que sejam feitos pelo advogado-empregado à noite, em casa, quando ele deveria estar descansando e convivendo com os seus). Por outro lado, há vários concursos por aí com salários de 5,7 ou 12 mil reais para nível superior, muitos deles exigindo graduação em Direito. O que dizer para tentar convencer estes acadêmicos de Direito e os recém-formados para não fazer concursos e preferirem a 1ª opção? “Ah, concurso é só decoreba”?

Por isso, não caiam nas falácias propaladas por pessoas assim, como Luiz Carlos Prates. Façam as melhores opções possíveis para a sua inserção profissional, seja no serviço público ou na iniciativa privada. Desde que seja por uma senda honesta, tudo é válido.

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Sobre a Culpa, a Existência e a Consciência Moral, Ou O Retrovisor Necessário

Tá, sei que o texto é “notícia velha” (72 dias é um bocado de tempo para o jornalismo), mas o assunto é atemporal. Por isso, ainda merece ser discutido.

Em “Espelho retrovisor”, o psicanalista Luís Olímpio Ferraz Melo, pretendendo desvalorizar o sentimento de culpa, comete desatinos que não se podem deixar passar em branco. Vamos ao artigo:

No trânsito, o espelho retrovisor tem importância significante, pois pode auxiliar o motorista a evitar acidentes - somente isto.

Bom, evitar acidentes não é algo que se possa dizer ter uma importância “somente”. Por acaso, evitar um atropelabento ou uma colisão é uma banalidade?

No entanto, o sujeito utiliza na vida cotidiana o olhar no passado, como se estivesse permanentemente vigiando e com medo do que passou. A maioria das pessoas está presa ao passado e remoendo situações que não poderão mais ser modificadas e por conta disto sofrem com sentimentos de culpa e remorso pelo que fizeram ou deixaram de fazer. Chegam a glorificar o lado negativo do passado, mas não dão o mesmo destaque aos fatos positivos que aconteceram. É cruel o sentimento de culpa e há pessoas que acreditam carregar toda a culpa do mundo até por fatos que não deram causa.

De facto, viver com o pasado na mente paralisa, impede-nos de tomar as atitudes necessárias no presente, da mesma forma que a ansiedade pelo porvir. Devemos viver o hoje, baseado nas lições do passado e nos planos e possibilidades para o futuro. É uma atitude bem diferente da de glorificar o lado negativo do passado (que é uma forma de ressentimento), bem como de idealizá-lo como um paraíso perdido.

Mas, de que raios ele fala quando diz que “é cruel o sentimento de culpa e há pessoas que acreditam carregar toda a culpa do mundo até por fatos que não deram causa”? Quiçá teremos a resposta adiante.

Freud dizia que o sentimento de culpa no homem nasce ainda na fase masturbatória - a mulher queixa-se de certo arrependimento após o ato masturbatório. A mulher que, por qualquer motivo, praticou o aborto, sente-se profundamente culpada por este ato extremo, mas que deve ser esquecido e creditado à imaturidade e ao desespero.

Nem sempre a prática do aborto pode ser creditada à imaturidade e ao desespero da gestante, pois diversos factores podem influir na decisão. Não é algo que possa ser reduzido a uma resposta tão simplista.

Claro está que a mulher que se sente culpada por este acto abominável mostra, apesar do que cometeu, ter algo de bom e digno em seu coração e esta bondade pode fazê-la se redimir e tornar-se uma pessoa melhor. Só um monstro frio e insensível (ou alguém que a esta condição foi reduzido) poderia simplesmente esquecê-lo e buscar justificativas (sim, isso mesmo) como estas para apaziguar seu próprio ego. Uma experiência traumática como essa normalmente não é esquecida- e nem deveria sê-lo.

As religiões contribuíram negativamente para a glorificação da culpa na civilização, inclusive, os 7 pecados capitais da Igreja foram cada um vinculados a um demônio; e algumas seitas religiosas exortam a castração e o autoflagelo, como forma dos fieis se penitenciarem por faltas que não cometeram. Qual a importância do passado no presente? Nenhuma! Os arquivos mentais servem apenas para registrar experiências; e não para se ficar remoendo fatos, desejando, em vão, modificar o que passou.

Quando vejo alguém falar que “as religiões isso ou aquilo” já fico com um pé atrás, uma vez que entre elas encontram-se tantas diferenças e complexidades que é deveras difícil para alguém afirmar coisas como as que lemos acima. Não é tarefa para qualquer um.

Entretanto, falo da religião que melhor conheço: a doutrina (infalível) dos 7 pecados capitais, Sr. Luís Olímpio Ferraz Melo, não existe para “aliviar o ego” de ninguém, mas sim para orientar as pessoas quanto à gravidade desses pecados. Faz parte das obrigações de uma boa mãe (e a Santa Madre Igreja é uma boa mãe) alertar ao seus filhos o que é mal para eles e o quanto isso é mal. Que tipo de mãe seria aquela que permite que seus filhos se exponham a perigos mortais sob a justificativa de que “ah, é tão ‘cruel’ dizer um não! Faça o que melhor lhe apetecer, meu filho”? O ensinamento sobre o pecado e sobre os Novíssimos do Homem (Morte, Juízo, Céu e Inferno) serve para ensinar os homens a pesarem sua liberdade com a responsabilidade – e isso parece ser algo muito difícil para tantos hoje em dia! -, não para, como está em seu artigo, “glorificar a culpa”.

Qual a importância do passado no presente? Imensa!!! Nossos actos têm consequências que se projectam para o futuro e, às vezes, para o resto de nossas vidas, não se lembra disso?* Como viver o hoje se me esqueci do que foi ontem? Se a vida humana é um conjunto de compartimentos isolados no tempo ( e falta aqui saber que unidade de tempo é essa que recorta as nossas vidas, apartando-as de vez umas das outras ao ponto de que se tornem apenas contactáveis como uma curiosidade para entreter-nos nos tempos de ócio), para quê elaborar projectos um mesmo dizer “vamos em frente!”? Tudo isso vai passar de forma a que não terá significado no momento seguinte. Seguindo o conselho do articulista, nada poderemos aprender com nossas experiências, pois elas fazem parte desse “inútil” passado.

Mas o melhor (ou pior) ainda está por vir:

Ninguém deve se sentir culpado, pois é da natureza humana o erro e, essa ideia equivocada de pecado e punição, jamais terá comprovação, pois trata-se apenas de alegorias. A Bíblia diz que o primeiro assassinato ocorreu quando Caim matou o seu irmão, Abel, por ciúmes e alguns exegetas míopes enxergaram nisto uma expiação para toda a humanidade; assim como o pecado original descrito na Bíblia e pelo qual todos ainda hoje teriam que responder. Ora, se Adão e Eva foram expulsos por Deus do Paraíso pelos supostos pecados, nós nada temos a ver com isto! Dane-se a culpa!

1)Fugir da culpa “porque dói” é atitude digna de fracotes e covardes que não podem arcar com as consequências de seus próprios actos. Isso quando não se tratar de psicopatias, já que o retrato da conduta ideal traçado pelo articulista nas primeiras linhas desse parágrafo lembra-me o de Mersault, o personagem psicopata de Albert Camus em L’Étanger, aquele que mata um homem sem saber bem o por quê e que reage com a maior indiferença ao seu próprio julgamento, bem como a diversos factos de sua vida. Ele não sente nenhuma culpa por seus actos porque é totalmente incapaz de o fazer. Já imaginaram isso: uma sociedade de irresponsáveis ou de psicopatas?

2)Pior fica agora, quando o colunista, pretendendo ir a fundo em sua tese, demonstra uma ignorância gigantesca em teologia: a doutrina do pecado original, um dos dogmas da Igreja, ensina que, após suacriação, o Homem, não aceitando seu status de criatura e , seduzido pelo poder do Demônio, com desejos de se igualar a Deus, rebelou-se contra seu Criador. Isso acarretou a perda do estado de Graça com o qual havia sido criado, além de outras consequências graves (medo de Deus, dificuldade de conhecer a Deus, ruptura da harmonia de toda a Criação, etc.). O Homem, criado para ser o jardineiro de Deus no Édem, a obra-prima das criaturas terrestres, perdeu sua ciência infusa e foi condenado a ser prisioneiro do pecado, do qual é libertado por Jesus Cristo. O Padre Leo Trese explica isso de uma forma bastante esclarecedora em seu livro A Fé Explicada: “Se, antes de eu nascer, um homem rico tivesse oferecido a meu pai um milhão de dólares em troca de um pequeno trabalho, e meu pai tivesse recusado a oferta, na verdade eu não poderia culpar o milionário pela minha pobreza. A culpa seria de meu pai, e não do milionário”. O pecado original é essa pobreza que os homens herdaram de Adão. Entendeu, Sr. Luís Olímpio Ferraz Melo? Eis o que temos a ver como o que os nossos primeiros pais fizeram.

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* Só para dar um exemplo bem claro: um dia, no passado, o Sr. Luís Olímpio Ferraz Melo decidiu ser psicanalista. Os efeitos dessa decisão repercutem até hoje. Será que ele pode se furtar a isso dizendo “é só o passado, o que importa é o Agora. Em frente!”?

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

O Império Romano é a Europa, e outras doidices

Eu devo mesmo ter algo de masoquista, para ainda ler bobagens como essas, escritas por Lustosa da Costa hoje, no DN:

Desde os tempos de Cleópatra, Roma e, por conseguinte, a Europa, exploram os egípcios. A tirania, derrubada pelo povo, foi sustentada pelos Estados Unidos e por Israel para se manter obediente a ambos. Agora, os americanos só admitem uma democracia, que se comprometa a defender os interesses ianques e sionistas. Senão, o país passará a ser considerado terrorista como o Iraque e o Irã, mesmo que, no seu caso, não tenha petróleo.

1)Desde quando na Antiguidade havia o conceito de “Europa”? Havia sim o de Império Romano, que dominou boa parte da Europa. Os povos então não eram “europeus”, mas sim latinos, germânicos, celtas, iberos, lusitanos, etc. Confundir a dominação romana com imperialismo europeu é coisa de ignorante em História;

2)Se a ditadura de Mubarak foi de facto “derrubada pelo povo” é algo que ainda cabe verificar pois, a rigor, não existem “revoluções populares”, segundo o ex-agente da KGB, Yuri Bezmenov. Toda revolução é provocada por lideranças específicas que usam, muitas vezes, o povo como fachada;

3)Egito obediente? Ser aliado dos EUA e de Israel é ser obediente? Curioso raciocínio. Além disso, falta ao articulista explicar por que raios países devem receber com a maior indiferença a notícia de que um país aliado pode se tornar seu inimigo, ainda mais um inimigo mortal, devido à mudanças políticas.

Da mesma maneira que Venezuela não é considerado país democrático porque não se porta de maneira subserviente diante de Washington. É o imperialismo americano que tenta continuar a mandar no mundo e recolher as riquezas da maioria em seu benefício.

Ué, como pode ser considerado democrático um país cujo governante já modificou a Constituição várias vezes em proveito próprio, persegue opositores, atenta gravemente contra a liberdade de imprensa e já declarou que seu objetivo é criar um regime socialista nos moldes de Cuba e da URSS? Por que Lustosa da Costa não prova o contrário?

Escravos, sim

O governo fascista e corrupto da Itália quer impedir que tunísios, sempre explorados pelos romanos, ingressem no país. Como escravos, podiam entrar. Como candidatos a trabalhadores, com direitos garantidos, não. É visão europeia e imperialista dos europeus.


Descontando o facto de que o governo brasileiro é, tradicionalmente mais corrupto do que o italiano, observemos:

1)Quer dizer que os italianos de hoje devem ser cobrados pelos actos dos romanos da Antiguidade? O articulista, que no Ceará parece ter fama de muito culto, não sabe a diferença entre a Itália e a Roma Antiga, bem como a existente entre Cartago e seus arredores e a moderna Tunísia?

2)Quem disse que os tunisianos querem entrar “como candidatos a trabalhadores, com direitos garantidos”? Querem entrar como refugiados por razões humanitárias. A Itália e a EU têm toda razão em ficar apreensivos com a entrada massiva desses estrangeiros, que podem muito bem se transformar em imigrantes ilegais, com todos os problemas implicantes já conhecidos. Exceto por Lustosa da Costa, ao que parece;

3)Cadê o tal “fascismo” no actual gverno italiano? O articulista aí só faz seguir a radição – inventada pela esquerda – de rotular de “fascista” aquilo de que não goste. É a corrupçao da linguagem, o primeiro mal provocado por ideologias;

4)Caso não tenha reparado, a visão dos europeus é, necessariamente, europeia. Tautologia aí.

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Preposto ou chefona?

Lustosa da Costa, hoje:

Poste ou não poste?

A campanha da mídia contra a candidatura de Dilma Rousseff à Presidência da República começou por total desvalorização de sua personalidade, com ampla e intensa atuação na administração pública federal e no Estado do Rio Grande do Sul. Seria ela um poste, de tão inexpressiva que o presidente Lula imporia ao eleitorado.

Competência

Ao longo da campanha, verificou-se o ledo e quedo engano da comunicação. Esta, então, passou para pintá-la de maneira totalmente inversa, como mandona, autoritária, sempre pronta a repreender colegas de ministério que não cumprissem os prazos marcados pelo presidente para cumprimento de suas tarefas. Aí viu que ela saiu ganhando na troca de imagem, intentada.


1) Tá, alguns jornalistas desde logo se posicionaram contra a candidatura de Dilma ao Planalto. Mas dizer que houve “campanha da mídia contra a candidatura de Dilma Rousseff à Presidência da República” é um brutal exagero. A menos que o articulista considere que tentar saber quem é realmente o sucessor que o presidente e seu partido querem nos apresentar seja “fazer oposição”.

2) Não há contradição real em "ser um poste" do PT e de Lula e ser autoritária: um tenente pode muito bem ser um mandão duro com seus praças e, ao mesmo tempo, um fidelíssimo subordinado de seus superiores.

sábado, 1 de janeiro de 2011

Verdade constrangedora

11 compañeras de prisión de Rousseff durante la dictadura militar la acompañarán en su toma de posesión

A la toma oficial de posesión de este sábado como nueva presidenta de Brasil, la ex guerrillera, Dilma Rousseff, a cuya ceremonia ya han anunciado su presencia representantes de más de 130 países -más de los que asistieron a las de Lula en 2003 y en 2007-, ha querido tener a su lado en un lugar de honor a 11 amigas ex guerrilleras que compartieron con ella la cárcel durante la dictadura militar.

Juntas estuvieron presas en la década de los años setenta en la Torre de las Donzelas, como se llamaba el reparto femenino en lo alto de la cárcel Tiradentes en São Paulo, de las militantes de extrema izquierda acusadas entonces de querer implantar en Brasil el régimen comunista soviético.


É, eu sei que é constrangedor. Talvez até Dilma e seus asseclas pensem o mesmo. Mas, infelizmente é a pura verdade.

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Salário merreca?

Lustosa da Costa, há 3 dias:


Demagogia

Nos últimos tempos, cresceu o número de empresários na vida pública. E, com sua presença, a demagogia da austeridade da redução de salários dos que exercem cargos públicos. Chegamos ao extremo de remunerar com pouco mais dez mil reais um ministro de Estado. Que não pode viver nem sustentar a família com tal quantia. A solução tem sido, em tempos mais honestos, lhes dar um "bico", ou seja: lugar num conselho de empresa estatal, para lhe complementar a remuneração.

Salários dignos

Parece que, agora, vão pagar salários condignos a ministros de Estado. Menos do que ganham jornalistas de televisão de cadeia nacional, mas o suficiente para vida digna. Agora, a demagogia persiste quando Lula fala em adquirir avião novo para a Presidência da República. Quando do Aerolula, a imprensa golpista difundiu a ideia de que o presidente ia comprar um jatão de primeira linha para ele. Agora que se vê que o avião foi adquirido para o Estado, volta a toada quando ele fala em comprar aparelho condigno para bem transportar o governante brasileiro a outros países. Bons tempos eram aqueles em que empresários ganhavam pouco, nos cargos que exerciam, mas suas empresas faturavam milhões e eles ganhavam outras, sem tirar um real do bolso, somente por conta do exercício do posto.


Quer dizer que R$ 10 mil por mês é uma merreca, um salário incapaz de “sustentar dignamente uma família”? Em que mundo Lustosa da Costa vive? Caso ele não saiba, não são poucos os brasileiros que vivem dignamente, mas com um rendimento inferior à R$ 10 mil mensais. Boa parte da classe média brasileira é assim. Caso não saiba, os salários dos ministros de Estado são pagos com recursos públicos e estes são conseguidos via tributação (i. e., pagamento obrigatório e coercivo), ao passo que os salários dos empresários são fruto do labor de suas empresas. Por que raios então deveríamos apoiar salários mais altos para ministros de Estado, sendo o Brasil uma país com tantos pobres e tantas mazelas sociais?

Pelo visto, ele acha que um reajuste de quase 62% é mostra de que o Brasil “agora é primeiro mundo”. Bem, se é assim, imagine se ele visse como funciona as coisas nesses países. Não há nada que comemorar nesse reajuste.

Para quem se diz tão preocupado com a situação dos mais pobres, é uma mancada indesculpavel.

domingo, 14 de novembro de 2010

Mortificação, ignorância e preconceito



É notícia velha eu sei, mas o assunto é perene.

Há meses, vi no G1 esse artigo sobre a srta. Sarah Cassidy, e seu uso diário de “arame farpado” para controlar desejos sexuais. Nunca dantes ouvi falar dessa distinta mulher.

Pelo teor do texto, suspeitei de uma abordagem enviesada e resolvi pesquisar um pouco mais. Como já suspeitava, a história era diferente: Cassidy e uma numerária inglesa do Opus Dei, e que por isso usa todos os dias um antigo instrumento de mortificação chamado cilício.

Ora, cilício não é arame farpado. É uma espécie de cinto de ferro com várias pontas viradas para o lado de dentro. Existem cilícios para os braços, o tronco e as pernas. É este último que é usado pela srta. Sarah Cassidy e pelos numerários do Opus Dei em geral.

Bom, pergunto eu: que mal há nisso? Que mal há no facto de uma mulher católica devota fazer uso de uma antiga prática aprovada pela Igreja e que, segundo alguns bem mais versados na matéria do que o jornalista do G1, traz tantos benefícios espirituais?

A reportagem do Daily Mail sobre o caso foi mais honesta, mas também não deixou de ter lá seus preconceitos anticatólicos que, suspeito, sejam comuns no Reino Unido(nem falo de várias opiniões deixados na caixa de comentários por vários leitores). O principal, pelo menos que pude perceber, era um pensamento assim: “que desperdício de vida! Não é esrranho que mulheres educadas e bem sucedidas façam isso e acreditem nessas coisas?”. Bom, isso é bizarro para a mentalidade materialista e hedonista que ocupa largos espaços no mundo ocidental moderno, sendo a Grã-Bretanha um dos casos mais pronunciados. Para ela, o sacrifício e mesmo o desconforto são sempre ruins, males em si mesmo, e que se tornam ainda mais estranhos quando são ofertados a Deus. Sacrificar-se por Deus, mesmo que seja um pequeno sacrifício, é esquisito. Ceder aos próprios instintos, caprichos e impulsos, no matter what, isso sim é coisa de gente normal. Fossem a srta. Sarah Cassidy e suas colegas numerárias de seu centro feminino londrino lésbicas, abortistas e promotoras do “amor livre”, duvido muito se causaria tamanha estranheza.

No mais, ao jornalista do G1: não se preocupe por ela ser diretora de uma escola primária. Suas crenças e praticas não a desabilitam para a função que exerce. É bem possível até que ela a faça com qualidade exemplar.

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Mais duas de Lustosa da Costa

Hoje o petista ferrabrás sobralense veio com mais das suas. Vejam esses dois trechos:

Fingindo retirada

O presidente dos Estados Unidos anuncia o fim da guerra do Iraque porque vai deixar, em seu território, apenas 50 mil militares, afora o colossal exército de mercenários, contratados pelo governo desde os tempos de George Bush. Estes 50 mil ficarão no país apenas para proteger as conquistas das companhias petrolíferas americanas da ação dos patriotas que não as aceitam porque surgidas após a guerra contra Saddam Hussein, movida para saquear o país e seu povo. O presidente vai continuar no Afeganistão até sofrer derrota tão humilhante quanto a que suas tropas sofreram no Vietnã.


Ué, há 16 dias não era o mesmo jornalista quem dizia que os EUA não deixariam o Iraque? Que aconteceu? Isso para não dizer que faltou ao jornalista informar ao distindo público que o governo iraquiano, sobre a retirada americana, alegou que as tropas iraquianas não estavam suficientemente estruturadas para manter a ordem no país, o que mais tarde rectificou. Por isso, 50 mil militares ianques permenecerão naquele país, para treinar a polícia e o exército. Até Tariq Aziz, ex-vice premiê de Saddam Hussein, quer que os EUA permaneçam por lá.

Traidor malsucedido

Um renegado bem-sucedido ainda é tolerável. Fracassado é rejeitado urbe et orbe, por todo o mundo. Falo de Fernando Gabeira, que pegou armas contra ditadura no passado e hoje é o ídolo da direita fluminense.


O colunista bem que poderia citar que “direita fluminense” é essa que idolatra Gabeira. Já vi direitistas de várias partes do Brasil, Rio incluso, e nunca vi um que admirasse o exótico deputado do PV.

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Heroína da democracia?



Lustosa da Costa, again:

Vamos ver quando a chapa de Cid Gomes, no Ceará, entra toda em sintonia com o favoritismo de Dilma Rousseff contra quem as publicações, que ganharam muito dinheiro com a ditadura, publicam matérias, baseados em órgãos de informação e de tortura a presos políticos. Quando relembram que, jovem aos 22 anos, teve coragem de arriscar a vida pela democracia, longe estão de desmerecê-la. Mostram seu heroísmo que é marca de sua biografia.

Qual heroísmo? O petista ferrabrás sobralense falta com a verdade quando diz que Dilma, “jovem aos 22 anos, teve coragem de arriscar a vida pela democracia”. Dilam Rousseff era membro da guerrilha comunista que então assolava o Brasil. Dilma nunca lutou pela democracia, nunca pensou em transformar o Brasil dos generais numa Suíça, num Reino Unido ou nos EUA. A “democracia” pela qual lutou é o totalitarismo genocida então vigente na URSS, Romênia, Albânia e que ainda vigora, infelizmente, na Coréia do Norte e em Cuba. Aliás, cumpre notar que a ilha de Fidel Castro era a grande inspiração dela e de seus comparsas, e que até hoje exerce fascínio sobre a candidata petista e seus correligionários. Não venha dizer, Sr. Lustosa da Costa, que não sabe disso.

Até quando esses esquerdistas vão falsificar a História para tentar fazer valer sua política?

terça-feira, 17 de agosto de 2010

PT e Índio da Costa

PT quer processar Indio da Costa por declarações

Vice de Serra disse que partido é ligado às Farc e ao narcotráfico

A cúpula do PT se reúne amanhã para avaliar a possibilidade de processar o candidato a vice-presidente na chapa de José Serra (PSDB), Indio da Costa (DEM). Em entrevista concedida ao portal que integra a campanha tucana, ele ligou o PT às Forças Revolucionárias Armadas da Colômbia (Farc), ao narcotráfico e chamou a candidata do PT, Dilma Rousseff, de ateia e "esfinge do pau oco".

"Todo mundo sabe que o PT é ligado às Farc, ligado ao narcotráfico, ligado ao que há de pior. Não tenho dúvida nenhuma disso", afirmou. Depois, respondendo a uma provocação feita por Dilma em comício no Rio de Janeiro – ela disse que seu vice, Michel Temer (PMDB), não foi improvisado -, Indio chamou a candidata petista de ateia e "esfinge do pau oco".

Pela internet, o presidente do PT, José Eduardo Dutra, reagiu às declarações de Indio da Costa. "Esse Indio desqualificado quer ser processado. O problema é que ele não vale o custo do papel necessário para a petição", afirmou Dutra.



Olha, como a maioria dos brasileiros, tomei conhecimento de Indio da Costa quando o mesmo se lançou como vice de José Serra. Portanto, não sei se ele vale o papel dos autos processuais que os petistas querem acionar contra ele. Mas tendo a achar que ele vale muito mais sim, e talvez tenha valor para a política nacional, dadas estas suas declarações.

As ligações do PT com as FARC já foram objecto de várias reportagens da revista Veja e de inúmeros artigos de Olavo de Carvalho, de Heitor de Paola e do jornal eletrônico Mídia Sem Máscara. Por que, então, a mídia não investiga a história a fundo? Porque a grande imprensa, notadamente a Rede Globo, investiga com tanto rigor desvios de verbas para cursos fraudulentos feitos por vereadores do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina, ao mesmo tempo em que se desinteressa por casos muito mais amplos e mais graves como o Foro de São Paulo e as relações PT-FARC?

Algo de podre na mídia tupiniquim…

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Lustosa da Costa

Leio o Diário do Nordeste todos os dias e, honestamente, não consigo gostar do que o jornalista Lustosa da Costa escreve. Julgo-o demasiado superficial, além de ser um defensor ferrenho de Lula e cia. (eca!). O cronista pode até ter algum talento ao falar sobre miudezas sobralenses, mas isso não o qualifica a opinar mais do que sobre isso mesmo: miudezas sobralenses. Seguem trechos de um de seus infelizes artigos:

Guerra é necessária

as grandes potências querem a guerra para expandir seus domínios, para conquistar fontes de riqueza e para fazer seus negócios. Tem sido assim desde a antiguidade, passando por Hitler, até os dois Bushs. Vai continuar a sê-lo com Barack Obama, este negro de alma branca. Hoje, as maiores nações e, em especial, a superpotência decadente dos Estados Unidos amam a guerra sobre todas as coisas.


1)“as grandes potências querem a guerra para expandir seus domínios, para conquistar fontes de riqueza e para fazer seus negócios”. Mas como isso é possível, se uma guerra é, do ponto de vista comercial, um fator altamente problemático e que pode mesmo inviabilizar o comércio? Será que o jornalista ainda vive no século XIX, onde se faziam guerras de conquistas e se colonizavam territórios?

2)Ademais basicamente os EUA foram a única grande potência que se tem metido em guerras nos últimos anos. Ou será que Lustosa da Costa já se esqueceu da forte oposição da maioria das nações européias à empreitada militar americana no Iraque?

3)“Vai continuar a sê-lo com Barack Obama, este negro de alma branca”. O que raios isso quer dizer? Que a alma tem cor e raça? Que se Obama tivesse “alma negra” 8seja lá o que isso for) seria um presidente melhor? Acaso Lustosa da Costa - o branco Lustosa da Costa- crê que os brancos são jingoístas incorrigíveis e os negros, os grandes pacifistas?

4)“Hoje, as maiores nações e, em especial, a superpotência decadente dos Estados Unidos amam a guerra sobre todas as coisas”. Ué, então por que a maioria das nações não está em guerra?

5)Faltou, claro, o jornalista explicar porque os EUA seriam uma “superpotência decadente”.

Iraque

Eles a fizeram para tomar o petróleo do Iraque sob a alegação de que queriam implantar, ali, a democracia. Descobriram riquezas naturais no Afeganistão e estão delas querendo se apoderar. Em guerra ou paz com os talibãs. Também estimulam a guerra para vender seus produtos aos dois contendores. Por isso, encorajam conflitos da Colômbia com a Venezuela. Sempre falando em democracia.


1)Pelo visto, o colunista ignora os postulados ideológicos do movimento neoconservador, que muito influenciou a Administração Bush. Essa corrente política, que atualmente constitui um segmento importante do Partido Republicano, acredita que os EUA têm algo como uma “missão salvadora” para o resto da humanidade: a revolução democrática internacional. Crêem que é vital para os EUA que o mundo se torne um mundo de governos democráticos, e que a democracia americana é exportável a todos os povos. É um tema deveras interessante e que não pode ser abordado por nenhum Lustosa da Costa da vida – está acima de sua capacidade. Para quem quiser entender um pouco mais sobre o projecto neoconservador (movimento de raízes trotskistas, diga-se de passagem), é bom conferir um de seus principais sites, o Project for the New American Century.

2) Se os americanos querem “se apoderar” do Afeganistão, por que têm planos de retirada total do país, planos esses já bastante endossados por Obama?

3) De onde ele tirou que o conflito entre Colômbia e Venezuela é de origem ianque? Provavelmente de sua idéia fixa esquerdista que vê os EUA como uma espécie de demiurgo que guia os acontecimentos internacionais – sempre para o mal, isto é, para seus próprios interesses, é claro. Será que ele ignora que os governos desses 2 países representam projectos totalmente opostos e inconciliáveis?


Só mercenários

o governo de Barack Obama anuncia o fim da ação militar no Iraque mas seu Exército lá permanece, tanto o oficial quanto os milhões de mercenários regiamente pagos para matar árabes e afegãos. Não pensem que os Estados Unidos vão deixar de fazer a guerra. O establishment precisa dela para dinamizar a economia. Eles pensam em invadir o Irã, país rico e civilizado. Se vão incendiar o Oriente Médio, hão de verificar que a ocupação do Irã não será um piquenique como a do Iraque. Os americanos, que não têm tradição, querem destruir o rastro das primeiras civilizações do mundo.



1) Ele por acaso pensa o quê? Que se pode tirar todo o contingente americano de lá sem problemas para ninguém, inclusive para a população local? Acha ele por acaso que a ordem se ia instalar ali espontaneamente? O que aconteceria, isso sim, seria a anomia, a desordem e a reorganização dos insurgentes. Pensar o contrário é ter uma visão muito romântica e simplista do que se passa ali.

2) Sem a guerra e o nation building ianques (que os libertários costumam chamar de socialismo) os EUA não teriam gasto uma fortuna gigantesca que já passa dos 700 bilhões de dólares e poderiam investir esse capital no próprio país. A intervenção no Iraque, aliás, já foi apontada como uma das causas pelas quais a economia americana não vai melhor.

3)Irã, rico e civilizado??? Um país com uma das economias menos livres do mundo, cuja mesma economia foi coniderada pela ONU como semidesenvolvida, no qual os direitos de propriedade são muito mal guarnecidos, com uma corrupção altíssima, os investimentos externos são hostilizados, a inflação passa dos 9%, com um PIB per capita abaixo do do México, Panamá e Turquia, e onde os direitos fundamentais dos cidadãos praticamente inexistem na prática pode mesmo ser considerado rico e civilizado?

Isso é só uma amostra das infelicidades que este jornalista escreve. Oxalá se corrija, e pare de publicar tantos erros tão grosseiros.