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terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Desfazendo os desarmamentistas

Horas atrás, em razão do caos da segurança pública no Ceará (a PM entrou em greve, e os assaltos e arrastões estão à solta), comecei uma discussão sobre o desarmamento civil no Facebook. Lá pelas tantas, o único defensor dessa ideia, crendo ter encontrado todos os argumentos em favor de sua tese, postou este artigo, de 2005, da época do referendo. Vejamos a consistência do mesmo:

O comércio de armas de fogo e munição deve ser proibido no Brasil? Pesquisas de opinião revelam que a maioria da população brasileira apóia o desarmamento. Para evitar a derrota no referendo, os defensores das armas estão distorcendo fatos e difundindo mentiras pela internet.
Previna-se contra elas.


Quem começa a mentir são os desarmamentistas. A opinião pública, à altura, estava bastante dividida quanto à medida mas pendeu para o NÃO no final. Tanto que foi este, concretamente, o resultado do referendo.

O Brasil é o país com o maior número de pessoas mortas com armas de fogo no mundo. Em 2003 ocorreram 108 mortes por dia, quase 40 mil no ano. [Datasus, 2003]. As armas de fogo matam mais do que acidentes de trânsito e são a maior causa de mortes de jovens neste país.

Neste parágrafo, o autor funde na categoria “morte por armas de fogo”, indiferentemente, as mortes por acidente, por causas criminosas, suicídios, bem como as causadas em estrito cumprimento do dever legal. Como criminalizar algo brandido uma estatística tão falseada?

Os defensores das armas dizem que o desarmamento é típico das ditaduras.

O Estatuto do Desarmamento e a Campanha de Entrega Voluntária de Armas foram democraticamente votados pelo Congresso Nacional brasileiro, por isso, não podem ser caracterizados como "ameaças totalitárias". O referendo popular é o instrumento mais democrático de que dispõe a população para decidir sobre leis que vão regular a sua vida.


A relação entre desarmamento e ditaduras é clara, atentando-se para as políticas de Hitler, Stalin, Pol Pot e Mao Tsé-Tung, por exemplo.

Mas logo a seguir o articulista mostra que a sua concepção de democracia é meramente formal, sem um conteúdo, um caráter material. Uma vez referendado, qualquer coisa é “democrática”, até mesmo, por exemplo, a suspensão dos direitos e garantias individuais ou do processo eleitoral.

Os defensores das armas alegam que, em 1938, Hitler desarmou a população da Alemanha permitindo assim o genocídio dos judeus. No entanto, o controle de armas é muito anterior ao Terceiro Reich. Em 1928, a República de Weimar aprovou leis de controle de armas exatamente para reprimir as milícias armadas do partido nazista. Hitler não chegou ao poder pelas armas, mas pelas urnas.

“Controle de armas” é diferente de “proibição de posse de armas”. A posse da CNH e a consequente permissão para dirigir só existe com um controle da emissão daquele documento. Quer isso dizer que o mesmo é proibido?

Nos regimes totalitários, desarma-se a população e armam-se as milícias para melhor subjugar os cidadãos. Nas democracias, a defesa da vida está a cargo de forças públicas de segurança legitimamente constituídas e o objetivo do desarmamento é aumentar a segurança do povo.

Se assim é, acabamos de ser informados que os EUA e a Suíça, por exemplo, não são democracias, uma vez que são países nos quais a posse e o porte de armas de fogo são bastante amplos (a coisa poderia até ser extenda a Portugal, por exemplo, país onde boa parte da população possui armas de fogo, apesar de não ter uma legislação como a suíça ou a ianque). Acho que não é preciso demorar-se mais nestas bobagens.

Os defensores das armas querem nos convencer que não adianta proibir o comércio legal porque os criminosos usam armas ilegais.

O equívoco desta visão está em ignorar que 99% das armas de fogo no país são legalmente produzidas. No Rio de Janeiro, 30% das armas apreendidas na ilegalidade tinham sido vendidas originalmente para "cidadãos de bem", e depois desviadas para o mercado clandestino [Polícia Civil RJ, 2003].


Aqui o autor confunde “armas legalmente produzidas” com “armas ilegalmente adquiridas”. A maioria das armas são produzidas legalmente. Podem ser usadas legal ou ilegalmente. E daí? Óbvio isso, não?

Quem é contra o desarmamento alega que a medida só vai desarmar a "população ordeira" e que os bandidos vão continuar armados. Na verdade, quem combate o estatuto é contra um maior controle sobre as armas de fogo no Brasil pois a maioria dos artigos do Estatuto do Desarmamento dá meios à policia para aprimorar o combate ao tráfico ilícito de armas e para desarmar os bandidos.

Ué, diante de um argumento (bastante realista, por sinal), o autor responde com um rompante retórico? Quer “combater o tráfico ilícito de armas e desarmar os bandidos”? Caiam em cima deles e de quem com eles colaboram, como, por exemplo, policiais corruptos, e não em toda a população.

O estatuto estabelece a integração entre as bases de dados da Polícia Federal, sobre armas apreendidas, e do Exército, sobre o comércio. Agora, as armas encontradas nas mãos de bandidos podem ser rastreadas e as rotas do tráfico desmontadas.

Também pela nova lei, todas as novas armas serão marcadas na fábrica, o que vai ajudar a elucidar crimes e investigar as fontes do contrabando. Para evitar e reprimir desvios dos arsenais das forças de segurança pública, todas as munições vendidas para elas também vão ser marcadas.


Para isso, não precisa desarmar população.

Dizem que a venda clandestina de armas vai aumentar, mas abolir o comércio legal de armas também vai prejudicar o mercado ilegal.

É, uma ou outra arma legalmente vendida pode deixar de chegar aos criminosos. As que chegam via contrabando ou policiais corruptos, por outro lado…

Mais de 50 mil armas por ano são vendidas legalmente no Brasil. A redução da oferta no comércio legal vai levar a um aumento dos preços no mercado ilegal, tornando mais difícil a aquisição. Esta tendência já está comprovada, por exemplo, no estado de Santa Catarina onde, segundo fontes policiais, o preço do revólver calibre 38 quintuplicou no mercado ilegal.

O mercado ilegal independe do comércio legal. Mesmo que o preço das armas aumente, isso pouco importa para o crime organizado, pois este nunca deixou de se armar cada vez mais e melhor.

Todo cidadão tem o direito à legítima defesa da sua família, casa e propriedade.

É um equívoco, no entanto, achar que ter uma arma de fogo em casa é uma proteção. Essas armas costumam ser usadas contra a própria família muito mais vezes do que ser usadas na sua defesa.

Segundo o governo norte-americano [FBI, 2001], "para cada sucesso no uso defensivo de arma de fogo em homicídio justificável, ocorrem 185 mortes com arma de fogo em homicídios, suicídios ou acidentes".


Suicídios e acidentes não podem ser impedidos pelo desarmamento. Quem quer se matar, se não tem um revólver, o faz com uma faca, ou pula de uma elevação, ou toma veneno, etc. Para eles, o desarmamento é um nada. Quanto aos acidentes, vão por uma linha parecida (sabiam que muitas pessoas morrem por…queda da própria altura? Que fazer? Amarrar todos sentados numa cadeira ou deitados numa cama?). Quanto aos homicídios, aí está a legislação penal e os tribunais para os combaterem.

Grande parte dos homicídios com arma de fogo é cometida por pessoas sem antecedentes criminais que se conhecem em conflitos banais que acabam em tragédias como brigas entre cônjuges, entre vizinho, no trânsito. Ter uma arma aumenta o risco, não a proteção!

Isso só ocorre por despreparo dos possuidores de armas, não pela propriedade das mesmas. Isso se resolve mais ou menos da mesma forma que o caso da CNH anteriormente aludido. Mas parece que o articulista se sente mais protegido confiando sua segurança completamente à esta polícia mal paga, despreparada, desmotivada, corrupta e cada vez mais insubordinada.

O movimento pró-armas copia os panfletos da Associação Nacional de Fuzis (NRA) dos EUA e argumenta que carros também matam.

Armas de fogo foram projetadas para matar, carros, não. Os automóveis matam por acidente e não de forma intencional. As armas de fogo matam com eficácia, à distância e sem dar chance à vítima.


O abuso não tolhe o uso, meu caro. Armas não foram feitas “para matar”, mas para proteção. Armas também não matam “intencionalmente”, pois quem tem intenção não é a arma, mas sim a pessoa que a utiliza. O mesmo se pode dizer do carro: é impossível alguém ter a intenção de matar alguém e, para concretizar isso, atropelar outrem?

No Brasil [Datasus, 2002], 63,9% dos homicídios são cometidos por arma de fogo, enquanto 19,8% são causados por arma branca. Facas, paus e pedras também podem ser usados em agressões, mas armas de fogo são muito mais letais: de cada quatro feridos nos casos de agressões por arma de fogo, três morrem.

Ora, se o negócio é “proteger a vida a qualquer custo”, porque não proibir facas, pedras, canetas, paus, garfos, tesouras, etc? Só porque a porcentagem de mortos é menor? Qual o “número ótimo” então?

Em relação aos suicídios, as tentativas com armas de fogo resultaram em morte em 85% dos casos [Annals of Emergency Medicine,1998]. Um conflito doméstico com arma de fogo tem 12 vezes mais chances de resultar em morte do que um conflito doméstico onde usou-se outro tipo de arma [J. of American Medicine]. Quando uma arma de fogo participa do conflito, a vítima raramente tem uma segunda chance!

E? O que foi dito antes sobre o suicídio parece esgotar o problema.

O lobby das armas usa dados questionáveis sobre crimes e homicídios em países onde as armas são rigorosamente controladas.

Até agora, só vi dados questionáveis e mentiras vindos dos desarmamentistas. Por que devo acreditar que agora sim vão começar a falar a verdade?

Na Inglaterra, onde o acesso a armas de fogo é rigorosamente proibido, elas são usadas só em 8% dos assassinatos e essa é uma das razões porque a taxa de homicídios é tão baixa naquele país.

Sim, pouco tem a ver com o rigor das leis criminais daquele país nem com a excelência do preparo da polícia inglesa (índice de resolução de homicídios de 90%). O cidadão é que é o criminoso.

O Brasil já tem armas demais. São 17,5 milhões, 90% nas mãos de civis. Mas os vendedores de armas querem continuar faturando com essa indústria mortal.

Não podia faltar o kirsch retórico-sentimentalóide para fechar esta condenação do direito a autodefesa do cidadão e à sua sujeiçaõ ao Estado ineficiente.

Bom, pelo menos o referendo foi, como dizem os portugueses, “chumbado”. Espero que os leitores tenham tirado proveito desta crítica.

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Emir Sader e o "longo processo de democratização" do Brasil

No dia 1 de Abril, Emir Sader publicou em seu twitter:

O golpe de 64 interrompeu o longo processo de democratização econômica,social e politica,iniciado em 30,mudando o rumo da história do país.

Ele só podia mesmo estar fazendo brincadeira com a data. Em 1930, Getúlio Vargas subiu ao poder por meio de uma revolução e ficou anos a governar sem amparo constitucional, até que a Revolução Constitucionalista de 1932 o fizesse convocar uma constituinte, que elaborou a Carta Magna de 1934. Três anos depois, com as eleições já marcadas, Vargas deu um golpe de Estado e instaurou a ditadura do Estado Novo, assentada numa constituição de caráter nitidamente centralizadora e autoritária, inspirada na sua congênere polonesa ( até onde sei, de caráter fascista). Seu regime perdurou até 1945, que trouxe a democracia de volta para o país, para acabar em 31 de Março de 1964.

Como um cientista social influente nos meios universitários pode cometer um erro histórico desse tamanho, que seria inaceitável num estudante de 6ª série ao final do ano? Será possível que ele ignora tanto assim a história brasileira do século XX? Ou existe aí algum método?

terça-feira, 15 de março de 2011

No dia 8 de Março corrente, Pedro Sette-Câmara publicou em seu twitter:

Quem compra drogas financia o tráfico. Mas quem anda de carro e ônibus também financia ditaduras árabes. Quer pureza, vai pro mosteiro.

Pode ser. Entretanto, cumpre-se notar que quem usa veículos automotores não têm nem intenção nem responsabilidade pelas ditaduras árabes. Ninguém escolhe a procedência do petróleo usado para fazer o combustível que usa. Além disso, drogas são completamente dispensáveis e seus usuários sabem bem o crime que financiam. Os utentes de combustível, por outro lado...

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

domingo, 13 de fevereiro de 2011

A Confissão e o Escrevinhador

É cada coisa que se publica na internet! Cada maluco que resolve abrir a boca para falar besteira, principalmente por estar resguardado pela virtualidade do meio!

A imprensa fabricou certa “polêmica” – digamos que tenha sido uma – sobre a possível permissão do Vaticano para que os fiéis católicos possam se confessar através de um aplicativo do iPhone, da Apple. O Vaticano já desmentiu isso, afirmando que a confissão deve ser física, entre o fiel e o sacerdote, e que confissões virtuais são inválidas. É claro que a tal “polêmica” deveria acabar aí, por clara vacuidade.

Pois bem: com sua irrefreável propensão para falar besteiras, Janer Cristaldo publicou, na quinta-feira, um artigo estúpido que não tem qualquer outra finalidade a não ser agredir a Santa Madre Igreja. Dentre as sandices, destaco a seguinte:

Embora os católicos, de modo geral, há muito não se confessem, duvido que a Igreja renuncie a esse formidável instrumento de humilhação do ser humano. No confessionário, todo católico – este animal em perigo de extinção – se ajoelha ante o padre e admite espontaneamente pecados que nem acredita que sejam pecados, a um tirano que exerce com prazer sua tirania. Desconheço sacerdote que renuncie ao poder do qual se imbui.

1)Bobagem dizer que “católicos não mais se confessam”. Quem conhece meios mais pios sabe muito bem que é exatamente o contrário disso. Não raro nesses meios pessoas se programam para confessar-se, pelo menos 1 vez ao mês e conheço quem se confesse todas as semanas. Certa vez, meu padre em Coimbra me disse que já viu, na Sé Velha daquela cidade, gente fazer fila para se confessar. Cristaldo está falando dos católicos de sua imaginação, que não coincidem exatamente com os reais;

2)Católicos estão em extinção??? Acaso o parvo ex-jornalista desconhece a expansão da Igreja na África, na Ásia e nos EUA? Provavelmente sim, já que esses lugares não ficam na Europa;

3)“Formidável instrumento de humilhação do ser humano”??? Bom, para pessoas inchadas de orgulho, que imaginam que “estar em paz com a própria consciência” é a maior garantia de bondade moral de seus actos, realmente, reconhecer-se pecador é “humilhante”. Pior: reconhecer-se cheio de pecados diante de outro homem e pedir a Deus o perdão desses mesmos pecados. O homem que ouve e dar conselhos ao fiel caído – o sacerdote – perdoa porque Deus o perdoou. Ao contrário do que diz Janer, ninguém confessa pecados quando não crê que os cometeu, o que corrobora a suspeita que cogitei no final do ponto 1;

4)De qual tirania ele fala? De ouvir pacientemente as misérias de um homem e dar-lhe conselhos para se recuperar delas? De sofrer dos males dos outros? De auxiliar alguém a crescer em graça? De perdoar os pecados dos outros? Que raios de tirania é essa? Será que Janer Cristaldo sequer sabe o que é uma tirania?

5)Se ele conhece mesmo teologia - ele se imagina uma autoridade no assunto, embora só o seja de facto para si mesmo e para uns 3 ou 4 gatos pingados – sabe que o exercício do sacramento da penitência e reconciliação não é autoatribuido, mas foi concedido por Jesus Cristo aos seus apóstolos (Jo 20, 21-23) e destes aos sacerdotes, por serem seus sucessores. Ainda assim, não é qualquer sacerdote a quem o bispo confere esse poder, pois “o ministro desse sacramento deve unir~se à intenção e á caridade de Cristo. Deve possuir um comprovado conhecimento do comportamento cristão, experiência das coisas humanas, respeito e delicadeza diante daquele que caiu; deve amar a verdade, ser fiel ao magistério da Igreja e conduzir, com paciência, o penitente à cura e á plena maturidade. Deve orar e fazer penitência por ele, confiando-o à misericórdia do Senhor.” (Catecismo da Igreja Católica, nº 1466). Pois é, as coisas são bem diferentes de como diz Janer Cristaldo.

Cuidado com os palpiteiros desqualificados e maliciosos que pululam na internet!

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Recebi via e-mail a seguinte mensagem, de uma lista de discussões da qual não participo, sobre o Pe. José Augusto, da Canção Nova, que se opõe vigorosamente ao PT:

Lamentável o que está acontecendo nestas eleições: Já não basta a revista veja, com 40 capas altamente tendenciosas ao PSDB, agora padres e evangélicos se uniram para atacar o PT , Lula e Dilma. Esses religiosos certamente se esqueceram dos ensinamentos de Cristo: Dai a Deus o que é de Deus, e a César o que é de César! e com isso COM TODA CERTEZA, estão dividindo suas ovelhas. Quem lançou o fome zero? quem mais cumpriu o mandamento bíblico de dar de comer a quem tem fome e beber a quem tem sede? Eu respondo: Luiz Inácio LULA da Silva. Com o fome zero, a transposição do rio São Francisco e construção de milhares de açudes ele deu água e pão ao povo de Deus. Com a mesma (ou mais) autoridade dos que criticam Lula e Dilma eu também me posiciono: esses padres e pastores são verdadeiros ANTICRISTOS, e queimarão no fogo do inferno, com toda certeza!

1)Desde quando o ensinamento cristão de separar os tributos temporais dos espirituais exime totalmente os religiosos dos assuntos terrestres? Se o missivista for católico, será que não conhece a Doutrina Social da Igreja, que trata precisamente de temas políticos e sociais do ponto de vista cristão? Ainda mais se, numa campanha política, a principal candidata já assinou um pacto para legalizar o aborto no Brasil, o que AGRIDE FRONTALMENTE à moral cristã.

2)O por ele tão festejado “Programa Fome Zero” foi há muito deixado de lado pelo Governo Federal. Sempre foi alvo de fortes críticas, principalmente depois que, em 2005, o IBGE mostrou que a fome, no Brasil, é bem menor do que o PT sempre alardeou e que o país estava dentro dos padrões internacionais aceites. O mais é uma mera erupção de adoração sentimental pelo presidente, e essa pseudo-hagiografia nem merece maiores comentários.

3)Como já disse, não sei se o sujeito é católico, mas, aparentemente é cristão. Pois bem: como um cristão pode proclamar que os padres e pastores que se opõem ao PT são Anticristos e, desde já, condená-los ao inferno? Acaso não sabe que a ideologia que anima o PT é radicalmente anticristã? Por sua lógica torta, a Igreja Católica, bem como várias igrejas protestantes são igrejas do Anticristo e a oposição (infalível) católica ao aborto e ao socialismo estão erradas e são anticristãs. Cristão mesmo, esse é o Lula.

Chega. É tolice demais por hoje. Ao missivista, muitas orações.

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Internet, discussões, o tempo e a obra

"Evita as longas discussões, sobretudo com pessoas dispersas, que juntam argumentos sobre argumentos, sem ordem e sem disciplina, misturando juízos apenas de gosto com algumas pseudo-idéias mal-formadas e mal-assimiladas. Evita essas discussões que não são em nada benéficas. Se não for possível conduzir o colóquio com alguém em boa ordem, segundo boa lógica, cuidadosa e organizada, é preferível que te cales. Sempre sê disciplinado no trabalho mental. Essa é a regra importante, e nunca ceder às vagabundagens do pensamento em conversas diluídas, dispersas, em que se fala de tudo e não se fala de nada.” Mário Ferreira dos Santos (1903-1968), filósofo brasileiro.

Já falei, num dos primeiros posts deste blog, como o tempo é uma preocupação constante minha. Cada vez mais me convenço de que ele é muito precioso e deve ser administrado com muita sabedoria e que os planos devem ser levados a termo com seriedade, se se tem como projecto de vida a santidade e a vida intelectual fecunda e responsável, como é o meu caso, e não um mero "vai levando" da existência terrestre.

Tomo as palavras de Mário Ferreira dos Santos como um mote para retornar ao tema no que diz respeito à internet e aos debates virtuais, tema este no qual tenho pensado muito ultimamente.

Devo dizer, à partida, que considero a internet uma fonte maravilhosa de conhecimento de de interacção com outras pessoas mais distantes com interesses comuns aos meus. Por meio dela conheci diversos sites bastante instrutivos, consegui excelentes livros e conheci ótimas pessoas, muitas das quais mantenho contacto tanto real, como virtual. Sem exagero, posso dizer que muito do que sei é devido à rede mundial de computadores.

Entretanto, o meio virtual é um ambiente bastante propício para pessoas de má-fé posarem como que sendo o que não são, desfilares seus egos, seu orgulho como conhecimento, sabedoria e cultura; para gente despreparada conduzir discussões intermináveis e de baixo nível; para os imaturos martelarem a rigidez de suas idéias rasas num ritmo incessante; para que agressoes verbais pululem às por todo lado. É uma faca de 2 gumes, e eu mesmo já me feri nessa faca algumas vezes.

Já me feri, mas também feri outros, quase sempre sem a menor necessidade. Não pense o leitor que já não cometi minhas faltas em discussões virtuais, agredindo quem de mim discordava ou falando em tom categórico e professoral assuntos sobre os quais eu tinha bem poucos subsídios sobre os quais me apoiar. Isso parece ser difícil de evitar, já que nesse tipo de colóquio os participantes tendem a se comportar como se estivessem interagindo apenas com uma máquina, como se por trás dela não estivesse um seu semelhante. Como se a única pessoa existente no caso fosse aquele quem fala,e os participantes de comunidades virtuais, meros programas informáticos. Não é difícil ver que, assim, pecar contra a caridade torna-se uma moeda corrente.

Além disso, vale falar que muitos dos debates "internéticos" são cultural e intelectualmente improdutivos. Não poucos usam da enorme liberdade da internet apenas para posar de doutos, quando não o são; para defenderem suas posições à ferro e fogo sem terem condições para tal; para "botar pra quebrar" para aparecerem, já que não se destacam como bons debatedores. Gente assim já derrubou muitos bons fóruns virtuais. É preciso selecionar muito bem as comunidades a participar e os interlocutores aos quais se dirigir para qe se percebam bons frutos.

Falo isso mais focado no famoso Orkut, mas vale basicamente para todos os ambientes virtuais onde as pessoas possam se reuinir para falar sobre algo. Pois bem: vendo que isso pode ser bastante prejudicial à alma (estímulo à vaidade, à maledicência, à mentira) e ao intelecto (perda de tempo com discussões inúteis, diminuição do tempo de estudo), estou cada vez menos interessado nesse gênero de debates. Participo cada vez menos e seleciono cada vez mais os interlocutores e os fóruns. Não pode ser de outra forma, se se quer honrar a alma, a vida intelectual e os diversos afazeres da vida cotidiana.

Olavo de Carvalho já denunciava esse vício de debater dos brasileiros. Segundo ele, nossos patrícios têm fascínios por debates, ao mesmo tempo que têm bem menos interesse em conhecer e estudar. Pois bem: para mim, a tensão entre debates virtuais e o crescimento espiritual e intelectual chegou a um ponto crítico. É preciso deixar essas discussões um tanto de lado em nome deste crescimento que vos falo. O reino da doxa deve ceder ante o reino da sophia. Não pode ser de outra forma. Que assim seja e que Deus me ajude.

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Links

Se ainda não postei adequadamente a minha página de links, aqui vai ela. Acho que montei uma página legal, e vez por outra faço umas alterações por lá.

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Twitter

Agora também estou no Twitter.

Tá, quase nunca uso, nem sei muito como funciona, mas tá aí o link.

quinta-feira, 4 de março de 2010

O Fim d'O Indivíduo

Sim, é triste mas é verdade. O Indivíduo, um dos melhores sites brasileiros sobre política e cultura, acabou.

Não vou me alongar muito homenageando o site, porque já o fiz longamente antes e minha opinião sobre ele só tem melhorado desde 2007. Além disso, o Sérgio de Biasi já escreveu um texto muito bom sobre isso, e penso que o que quer que eu fale não passará de prolixidade.

Mas nem tudo são males. O site, pelo menos como passou a ser nos últimos 5 ou 6 anos, continua “noutra encarnação”, como talvez diria o Pedro Sette Câmara, continua aqui.

Desfrutemos!

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Margareth Thatcher na Globonews

Vi há pouco a entrevista feita por Silio Bocanera ao historiador do King's College de Londres Richard Vinen. Muito interessante e instrutiva. Vinen, embora se declare um esquerdista, não cai na panfletagem anti-Thatcher tão comum em outros de seus pares, mas faz uma análise que me pareceu bastante consistente e equilibrada da Dama de Ferro e de sua administração. Vou comprar seu livro. Enquanto isso, deixo aqui o vídeo da entrevista.

terça-feira, 6 de outubro de 2009

História do Comunismo

Para aqueles que querem saber mais sobre a História do Comunismo internacional, recomendo que acompanhem outro blog que criei, precisamente com a finalidade de reunir material sobre o tema: História do Comunismo.