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domingo, 1 de janeiro de 2012

Projectos para 2012

*Concluir a Licenciatura em Direito em Coimbra;

*Conseguir o máximo de inserção profissional possível;

*Retomar meus estudos de Francês;

*Preparar-me mais e participar dos concursos públicos que me interessem e sejam possíveis;

*Retornar ao COF;

*Dedicar-me mais às coisas da Igreja (o plano diário de santificação, as orações, a Santa Missa, sacramentos, recolhimentos e a direção espiritual), para crescer espiritualmente;

*Estudar mais Filosofia do Direito, Ciência Politica, Direito Constitucional, Direito Internacional Público, Direito Administrativo, História da Filosofia, Ética, Teodicéia, Teologia Católica, História Moderna e Contemporânea; Diplomacia; e Literatura;

*Ler mais Olavo de Carvalho, Eric Voegelin, Machado de Assis, Miguel Torga, Aquilino Ribeiro, Eça de Queirós, Camilo Castelo Branco, Fernando Pessoa, Graciliano Ramos, Lima Barreto,Dostoiévski, Álvaro Ribeiro, São Josemaría Escrivá, Platão, Aristóteles e Santo Tomás de Aquino;

*Servir cada vez mais e melhor aos que me são caros, especialmente o meu filho;

*Assistir pelo menos 100 filmes (bons!!!);

*Gerenciar melhor meu tempo, para que eu aproveite cada vez mais cada segundo de que disponho e não desperdice meu tempo com coisas sem importância ou mesmo prejudiciais;

*Cuidar mais da forma e da saúde;

*Preparar a tradução de, pelo menos, 2 livros;

*Preparar 3 livros e, se possível, publicar ao menos 1;

Agora, ao trabalho!

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Velha infância

(Crônica)

Ontem fui ao meu antigo prédio em busca de algumas possíveis correspondências, pois, apesar de de lá já termos saído há quase 9 anos, ainda há quem mande cartas para aquela antiga morada, como se por lá ainda vivêssemos.

Como sempre, fui acompanhando meu pai, pois dali íamos almoçar em algum lugar (ontem foi feriado municipal em Fortaleza, o dia de nossa padroeira, e não queríamos fazer almoço nem havia nada feito). Enquanto ele esperava que o porteiro, que já trabalhava por lá anos antes da nossa mudança, encontrasse alguma coisa, reparei na estrutura física do prédio.

É um edifício bastante antigo, smples, pobre até. Tem apenas 6 andares e só um elevador. Nada de salão de festas, piscina ou mesmo jardim. Não tem qualquer luxo, apesar de terem sido feitas melhorias depois de que nós, isto é, minha família, saímos dali.

No entanto, aquile edifício me fascinava. Eu estava curioso por tudo, prestava atenção em cada detalhe das paredes, das portas, das janelas, das colunas, da fachada e onde mais pudesse pôr o olhar. Atentei também para as feições já um tanto envelhecidas do porteiro.

E por que isso? Por pura nostalgia, desejo de rever, de revisitar aquela velha e tão querida infância, talvez a parte mais feliz da minha vida. Em cada detalhe do que observava buscava retirar da memória mas também, misteriosamente, do ambiente físico, as recordações de todas aquelas brincadeiras, de todas aquelas vivências, destes belos e ternos momentos que não voltam mais. Os brinquedos, os amigos, os amigos dos amigos, as pessoas que iam e voltavam, as manhãs de férias, as “molecagens” até o fim da tarde… sim, o prédio podia ser velho e bem pobrezinho, mas eu fui muito feliz ali. Isso é inegável e tem o seu valor.

Ao fim, o porteiro disse-nos que, doa moradores antigos, só uns 3 ainda por lá estão. Três sobreviventes de uma época boa, que me deixam muitas saudades.

Fui embora, mas levei comigo essa nostalgia que há muito se abateu sobre mim e tão cedo não pretende abandonar-me.

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Desperdício e Insensatez

Pode parecer banal, mas isso chamou-me a atenção.

Na manhã de sábado, fui comprar pão, presunto e queijo para o café-da-manhã. Nada de mais. Como de hábito, insisti para que a funcionária do supermercado cortasse o pressunto para que ele ficasse bem fino (o melhor que há), pelo que ela me olhou com certo enfado. Ao ver que tinha posto mais presunto no pratinho do que eu havia pedido, retirou o excesso e, pura e simplesmente, o jogou na lata de lixo. Isso mesmo: na lata de lixo.

Fiquei boquiaberto com isso e acho que ela percebeu meu olhar surpreso, mas nada disse. Calado, peguei minhas compras e fui ao caixa.

Como alguém faz uma coisa dessas assim, sem mais nem menos? Será que ela não pensou, por um momento sequer, que estava ali mesmo destruindo, sem a menor necessidade, uma mercadoria que poderia ser vendida para outro? Será que não se lembrou de tanta gente que morre de fome ou se alimenta mal em nossa cidade, enquando ela desperdiçava comida? Que ética é essa?

Aquilo me pareceu uma enorme insensatez, uma brutal falta de sensibilidade para com os que passam fome, um dano totalmente despropositado a uma propriedade privada. Não entendo mesmo isso.

Enfim, queria mesmo fazer este desabafo, não fazer um sermão ou um tratado moral. Se isso servir para sinalizar a alguém como tal atitude é errada, já fez muito e me dou por satisfeito.

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Assim caminha a humanidade?



Vai me dizer que isso aí não tem um pé firme na realidade? Que é tudo um puro exagero?

E o pior é que, ao que parece, a tendência não está restrita a esses países. Há algo de podre no mundo contemporâneo.

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Minha Reconversão

Numa interessante lista de discussões via e-mail da qual participo, um dos membros fez uma pergunta geral aos participantes, inquirindo sobre quem na lista se converteu ou retornou de fato à fé batismal nos últimos dez anos. As histórias foram bastante interessantes, especialmente dos membros que na adolescência foram ateus inveterados e hoje são católicos fervorosos. O meu caso, entretanto, foi diferente. Foi um caso de reconversão, que o texto que por lá escrevi (e aqui reproduzo) poderá explicar melhor:

"Bem, a minha história talvez seja uma das mais sem-graça da lista.

Eu nunca fui ateu. Verdade que lá pelos meus 14 anos eu me achava um sujeito inteligentíssimo, cultíssimo, mas não cheguei ao ponto de renegar a religião. Em meus tempos de 1ª Comunhão (quando eu tinha uns 10 ou 11 anos) tive um contato muito forte com a religião, que muito me estimulava a pensar no assunto e a ler a Bíblia. Era um grande interesse por tudo o que estivesse ligado à Deus e à Igreja, mas isso foi-se esmaecendo com o passar dos anos, principalmente com a chegada da adolescência.

Não deixei de ir à missa e nem de ler algo da Bíblia, mas fazia tudo isso tão irregularmente que mal podia colher algum proveito disso [creio mesmo que já cheguei a passar cerca de 1 ano sem ir à missa). Passei a deixar que assuntos mundanos ocupassem o centro das minhas atenções, como a História, a Política, meu futuro estudantil e profissional, etc. Acabei por relegar temas religiosos para segundo plano. Vejam bem: não que tivesse abandonado a religião; apenas o assunto me parecia pouco importante. Julgava que não me devia preocupar muito com ele. Nessa via, cheguei mesmo a tolerar insultos e críticas pesadas ao cristianismo e à Igreja Católica por pessoas que tinham opiniões concordantes comigo noutros assuntos, especialmente em política.

Mas aí, há uns 2 anos atrás, eu me dei conta de como Deus fazia falta na minha vida. Ocorreu-me isso de uma forma meio que repentina, mas para a qual contribuíram a convivência com pessoas religiosas (católicas ou não), as investidas dos ateus militantes e reflexões sobre a vida. Desde então tenho rezado mais, ido à missa todos so domingos e, desde o fim do ano passado, participo de uma catequese para adultos aos sábados, pela tarde, na Sé Velha de Coimbra, o que, aliás, amo bastante. Temas religiosos estão entre meus principais interesses desde então (embora eu não fale muito sobre religião, justamente por saber que meus conhecimentos são insuficientes), e penso, daqui a uns anos, em fazer uma faculdade de Teologia. Vontade não me falta, só preciso ajustar algumas coisas da minha vida prática.

Ah, e deixei de me achar, há anos, a Encarnação da Cultura e do Saber, como cria na adolescência. Isso também deve ter-me ajudado bastante!"

Publicado no meu antigo blog, Nova Mensagem, em 11 de Fevereiro de 2009.

sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Projectos para 2011

*Concluir a Licenciatura em Direito em Coimbra;

*Ingressar num Mestrado na FDUC (de preferência em Direito Internacional Público);

*Retomar meus estudos de Francês e iniciar o de outra língua (de preferência o Alemão);

*Preparar-me mais e participar dos concursos públicos que me interessem e sejam possíveis;

*Dedicar-me mais ao COF;

*Dedicar-me mais às coisas da Igreja, para crescer espiritualmente;

*Estudar mais Filosofia do Direito, Ciência Politica, Direito Constitucional, Direito Internacional Público, Direito Comunitário, História da Filosofia, Ética, Teodicéia, Filosofia Política, Teologia Católica, História Moderna e Contemporânea; Diplomacia e Literatura;

*Ler mais Olavo de Carvalho, J.J. Canotilho, Jónatas Machado, Paulo Ferreira da Cunha, Machado de Assis, Miguel Torga, Aquilino Ribeiro, Eça de Queirós, Camilo Castelo Branco, Fernando Pessoa, Graciliano Ramos, Lima Barreto, Philip Roth, Dostoiévski, Álvaro Ribeiro, São Josemaría Escrivá, Platão, Aristóteles e Santo Tomás de Aquino;

*Servir cada vez mais e melhor aos que me são caros;

*Assistir a, pelo menos, 100 filmes (bons!!!);

*Cuidar mais dos meus blogs (precisam mesmo!);

*Gerenciar melhor meu tempo, para que eu aproveite cada vez mais cada segundo de que disponho e não desperdice meu tempo com coisas sem importância ou mesmo prejudiciais;

*Cuidar mais da forma e da saúde;

*Cuidar de preparar as traduções.

Muita coisa, e muitos desses itens talvez nem se concretizem. Mas preciso traçar metas para o meu futuro, não?

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Às vezes não é fácil mesmo estar em Coimbra. A pressão pelos estudos (ainda mais quando se tem a perspectiva de os terminar em, no máximo, um ano), os afazeres domésticos do dia-a-dia (que aqui parecem consumir mais tempo do que em Fortaleza), diversos cuidados e pequenas concernências podem pesar como uma capa de chumbo sobre nós. Hoje foi um dia assim para mim.

Isso dá-se sobretudo no que diz respeito aos pensamentos: penso na aborrecidíssima tarefa de resolver pendengas documentais (é impressionante a burocracia e a complicação destas coisas por cá!), na dificuldade das provas, no tempo exíguo para cuidar dos afazeres, na adminitração das finanças pessoais, no futuro, no passado, nos que ficaram no Brasil, nos que por cá estão, nos meus projectos intelectuais,nos meus deveres para com Deus…

É duro isso, e às vezes desanima. É quando percebo a necessidade imperiosa de harmonizar os diversos aspectos da minha vida, bem como a importância de colocar Deus no centro dela. Sim, pois dou voltas e voltas até perceber que estou em Suas mãos e nada acontece em minha vida que não seja permitido por Ele. Ele é o único com quem posso sempre contar e de quem dependo absolutamente, pois porque sem mim nada podeis fazer (Jo 15:5).

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Há 10 dias comentei que completava-se 1 ano de minha estadia no Brasil. Tenho reflectido um pouco sobre isso. Eu desembarquei mais com o propósito de emendar certas coisas em minha vida do que encontrar novidades. E o que se passou?

Aconteceu que houve mais novidades do que imaginei: algumas pessoas cuja distância me incomodava hoje continuam, de certa forma, distantes, mas isso já pouco me afeta. Não esperava fazer amizades, mesmo pequenas amizades, e fiz algumas bem grandes; encontrei mais perto de mim pessoas com interesses e objectivos semelhantes aos meus (e olha que eu achava que isso só existia longe daqui); redefini objectivos de vida; descobri uma UFC mais interessante e melhor do que eu imaginava; comecei a participar de encontros religiosos que só irão acrescentar na minha vida; além de ter convivido mais e melhor com minha família e ter conhecido uma mulher fantástica, mas sobre a qual não vou falar agora. É, isso mesmo: como o Mano Menezes, eu não minto, mas algumas coisas eu omito.

E o que vim emendar? Bom, já resolvi em parte o que tinha por resolver. O resto só pode ser feito no futuro e, com a graça de Deus, tudo correrá bem. Nos braços Dele entrego meu destino.

terça-feira, 27 de julho de 2010

Olavo de Carvalho, 10 anos



Quem me acompanha já notou a influência que o filósofo Olavo de Carvalho tem sobre mim. Confirmo esta impressão: muito do que sei hoje aprendi com ele. Ele é uma das minhas grandes inspirações na vida intelectual.

Ontem lembrei-me que já o acompanho há 10 anos. 10 anos! Uma década já se passou, e para mim foi como se tudo começasse num dia desses. Uma década de aprendizado e de transformação intelectual, majoritariamente positiva. Antevejo que mais uma década de "olavismo" ainda virá para mim. E talvez outra, e outra...

Não vou mais me alongar sobre o assunto. O que cabe dizer agora eu já disse, há quase 1 ano atrás, no penúltimo texto do antigo blog, que republico aqui, já que nada há que acrescentar:


Sobre Olavo de Carvalho

Li o primeiro texto de Olavo de Carvalho em Março ou Abril de 1999. Na altura eu tinha 16 anos, cria-me cultíssimo e, embora fosse mezzo direitista, por meus conhecimenos de humanidades e principalmente por minha formação familiar, na prática era influenciado por várias teses esquerdistas que me eram impingidas por meus professores de colégio (como a de que o nazi-fascismo era uma corrente de direita, a de que a ditadura militar brasileira foi de uma violência comparável à da ditadura hitlerista, a de que a violência nas cidades e nos campos é causada pela pobreza, a de que a Inquisição foi uma das maiores monstruosidades que já existiram, a de que a Igreja Católica estava repleta de "podres" ao longo da sua história, a de que Mao Tsé-Tung foi, afinal de contas, responsável por um grande desenvolvimento na China; a de que o PSDB é um partido de direita, tal como o PMDB e o antigo PFL; etc).

Era um texto sobre a Revolução de 31 de Março de 1964, que encerrava uma homenagem feitapelo Clube Militar aos 35 anos da Redentora. O folheto fora-me dado por meu pai, que o recebera de um amigo coronel da reserva do Exercito, e narrava o episódio do ponto de vista militar. Era a primeira vez que eu lia algo como aquilo, e esta leitura chacoalhou profundamente minha visão sobre o regime militar brasileiro. O texto de Olavo de Carvalho encerrava o encarte e também me marcou, não só por elogiar certos aspectos do regime mas também por afirmar que, no Brasil, não existe uma direita politicamente organizada. O artigo não o identificava, por isso pensei tratar-se de um coronel ou algo assim.

No ano seguinte, ao revirar umas edições passadas da revista Época, defrontei-me com o artigo Longe de Berlim, fora do Mundo e o nome do autor logo atiçou minha memória. Surpreendi-me ao vê-lo chamado filósofo. Era a primeira vez que via um brasileiro das humanidades com tais posturas antiesqurdistas. Começei a acompanhá-lo com mais regularidade até que, no dia 24 de Julho de 2000, lendo uma reportgem sobre o comunismo numa edição da citada revista, leio logo a seguir A velha alucinação. Foi tiro e queda: bastante ácido, inteligente e honesto, este artigo do filósofo é um golpe pesado contra o comunismo e impressionou-me deveras. Foi um poderoso contra-ataque ao que eu aprendia na escola. Foi a partir daí que passei a acompanhá-lo seriamente.

E lá estava eu, lendo seus artigos todas as semanas em Época. Meses depois, numa livraria, encontrei acidentalmente O Futuro do Pensamento Brasileiro. Estudos sobre o Nosso Lugar no Mundo. Comprei-o imediatamente e nele descobre que Olavo de Carvalho é muito mais do que um crítico do comunismo; é um autêntico intelectual, nas boas acepções do termo. Foi o primeiro de muitos: O Jardim das Aflições, O Imbecil Coletivo I, Aristóteles em Nova Perspectiva, e outros. Pouco depois descobri seu site na Internt e isso foi um deleite intelectual para mim. Não só em quantidade mas também em qualidade, tudo aquilo me impressionou positivamente. Era mesmo muita coisa boa o que ali havia e há.

Através de Olavo de Carvalho conheci outros sites interessantes como O Indivíduo, WND, MSM, Lew Rockwell ou o Seventh Seal. Foi ele quem me apresentouautores como Mário Ferreira dos Santos, Miguel Reale, Eric Voegelin, Ludwig von Mises, Roger Scruton, Ângelo Monteiro e Bruno Tolentino. Foi com Olavo que conheci bem temas como a paralaxe cognitiva, a dialética erística, a revolução gramsciana, a Religião Comparada, o Foro de São Paulo, o politicamente correto e o mundialismo. Digo, enfim, sem nenhum receio, que a minha vida intelectual (algo mais que aprendi com ele) deve imensamente ao trabalho de Olavo de Carvalho há uns 9 anos.

A filosofia de Olavo de Carvalho centra-se na defesa da consciência individual frente à tirania da colectividade, sobretudo quando baseada numa ideologia dita "científica". Segundo ele, a objetividade do conhecimento e a autonomia da consciência individual estão inseparavelmente ligados, ligação esta que é perdida quando o conhecimento só é considerado seguro quando é reduzido ao academicismo. Sustentando que a principal guarida da consciência individual contra a alienação e a coisificação se encontra nas antigas tradições religiosas, o filósofo de Campinas analisa os problemas da cultura atual à luz destas tradições.

Embora eu reconheça nele algumas faltas que se tornaram mais claras para mim nos últimos anos - brigas nem sempre necessárias, desrespeito a alguns importantes membros da Igreja, uso de uma linguagem nem sempre recomendável em seu programa True Outspeak, algum feitichismo intelectual que complica a vida, negativsmo em relação ao Brasil, etc - penso que o saldo final de sua obra é e será positivo, já que seu trabalho não está ainda concluído. Penso que, se houver uma renovação e mesmo um robustecimento da intelectualidade brasileira nas próximas décadas, essa renovação em muito deverá ao trabalho do filósofo Olavo de Carvalho.

Encontrei em Schopenhauer, em seu livro sobre a dialética erística, um parágrafo que tem tudo a ver com o que postei aqui no dia 22. Com a palavra, o filósofo de Gdansk:

O único contra-ataque seguro é, portanto, a que já Aristóteles indicava no último capítulo dos Tópicos: não entrar em controvérsia com qualquer um que chegue, mas só com aqueles que conhecemos e dos quais sabemos que têm inteligência suficiente para não propor coisas absurdas que levem ao ridículo, e que têm suficiente talento para discutir à base de razões e não com bravatas, para escutar e admitir tais fundamentos, e que, enfim apreciem a verdade, prestem com gosto o ouvido às razões, mesmo quando procedam da boca do adversário, e sejam o bastante equitativos para suportar que não se lhes dê razão, quando a verdade está do outro lado. Disto segue-se que, entre cem pessoas, há apenas uma com a qual valha a pena discutir.

(Como Vencer Um Debate Sem Ter Razão: Em 38 Estratagemas (Dialética Erística); intr. notas e comentários por Olavo de Carvalho; trad. de Daniela Caldas e Olavo de Carvalho. Rio de Janeiro, Topbooks, 1997).

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Internet, discussões, o tempo e a obra

"Evita as longas discussões, sobretudo com pessoas dispersas, que juntam argumentos sobre argumentos, sem ordem e sem disciplina, misturando juízos apenas de gosto com algumas pseudo-idéias mal-formadas e mal-assimiladas. Evita essas discussões que não são em nada benéficas. Se não for possível conduzir o colóquio com alguém em boa ordem, segundo boa lógica, cuidadosa e organizada, é preferível que te cales. Sempre sê disciplinado no trabalho mental. Essa é a regra importante, e nunca ceder às vagabundagens do pensamento em conversas diluídas, dispersas, em que se fala de tudo e não se fala de nada.” Mário Ferreira dos Santos (1903-1968), filósofo brasileiro.

Já falei, num dos primeiros posts deste blog, como o tempo é uma preocupação constante minha. Cada vez mais me convenço de que ele é muito precioso e deve ser administrado com muita sabedoria e que os planos devem ser levados a termo com seriedade, se se tem como projecto de vida a santidade e a vida intelectual fecunda e responsável, como é o meu caso, e não um mero "vai levando" da existência terrestre.

Tomo as palavras de Mário Ferreira dos Santos como um mote para retornar ao tema no que diz respeito à internet e aos debates virtuais, tema este no qual tenho pensado muito ultimamente.

Devo dizer, à partida, que considero a internet uma fonte maravilhosa de conhecimento de de interacção com outras pessoas mais distantes com interesses comuns aos meus. Por meio dela conheci diversos sites bastante instrutivos, consegui excelentes livros e conheci ótimas pessoas, muitas das quais mantenho contacto tanto real, como virtual. Sem exagero, posso dizer que muito do que sei é devido à rede mundial de computadores.

Entretanto, o meio virtual é um ambiente bastante propício para pessoas de má-fé posarem como que sendo o que não são, desfilares seus egos, seu orgulho como conhecimento, sabedoria e cultura; para gente despreparada conduzir discussões intermináveis e de baixo nível; para os imaturos martelarem a rigidez de suas idéias rasas num ritmo incessante; para que agressoes verbais pululem às por todo lado. É uma faca de 2 gumes, e eu mesmo já me feri nessa faca algumas vezes.

Já me feri, mas também feri outros, quase sempre sem a menor necessidade. Não pense o leitor que já não cometi minhas faltas em discussões virtuais, agredindo quem de mim discordava ou falando em tom categórico e professoral assuntos sobre os quais eu tinha bem poucos subsídios sobre os quais me apoiar. Isso parece ser difícil de evitar, já que nesse tipo de colóquio os participantes tendem a se comportar como se estivessem interagindo apenas com uma máquina, como se por trás dela não estivesse um seu semelhante. Como se a única pessoa existente no caso fosse aquele quem fala,e os participantes de comunidades virtuais, meros programas informáticos. Não é difícil ver que, assim, pecar contra a caridade torna-se uma moeda corrente.

Além disso, vale falar que muitos dos debates "internéticos" são cultural e intelectualmente improdutivos. Não poucos usam da enorme liberdade da internet apenas para posar de doutos, quando não o são; para defenderem suas posições à ferro e fogo sem terem condições para tal; para "botar pra quebrar" para aparecerem, já que não se destacam como bons debatedores. Gente assim já derrubou muitos bons fóruns virtuais. É preciso selecionar muito bem as comunidades a participar e os interlocutores aos quais se dirigir para qe se percebam bons frutos.

Falo isso mais focado no famoso Orkut, mas vale basicamente para todos os ambientes virtuais onde as pessoas possam se reuinir para falar sobre algo. Pois bem: vendo que isso pode ser bastante prejudicial à alma (estímulo à vaidade, à maledicência, à mentira) e ao intelecto (perda de tempo com discussões inúteis, diminuição do tempo de estudo), estou cada vez menos interessado nesse gênero de debates. Participo cada vez menos e seleciono cada vez mais os interlocutores e os fóruns. Não pode ser de outra forma, se se quer honrar a alma, a vida intelectual e os diversos afazeres da vida cotidiana.

Olavo de Carvalho já denunciava esse vício de debater dos brasileiros. Segundo ele, nossos patrícios têm fascínios por debates, ao mesmo tempo que têm bem menos interesse em conhecer e estudar. Pois bem: para mim, a tensão entre debates virtuais e o crescimento espiritual e intelectual chegou a um ponto crítico. É preciso deixar essas discussões um tanto de lado em nome deste crescimento que vos falo. O reino da doxa deve ceder ante o reino da sophia. Não pode ser de outra forma. Que assim seja e que Deus me ajude.

quarta-feira, 17 de março de 2010

Há quem pense no Céu como um lugar fastidioso, ocioso, monótono, marcado, talvez, até por alguma solidão.

Mas no Céu estão a Santíssima Trindade, a Virgem Maria, São José, os Apóstolos, os Mártires, o número imenso dos Santos Anjos e a multidão dos Santos.

No Inferno, porém, estão os idólatras, os homicidas, os fornicadores, os ladrões, os adúlteros, os invejosos, os feiticeiros, os injustos, os ímpios, os blasfemos, os alcóolatras, os libertinos e assemelhados.



E tu? Qual tipo de companhia preferes?

quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Projetos para 2010

*Terminar finalmente a Faculdade (Prioridade! Urgência!),

*Procurar um mestrado,

*Estudar COM AFINCO para concursos,

*Estudar COM AFINCO para o Curso Online de Filosofia do Olavo de Carvalho,

*Estudar COM AFINCO a Teologia Católica,

*Estudar COM AFINCO Administração de Finanças Pessoais,

*Ler mais Balzac,Stendhal,Dostoiévski,Gógol,Turgueniev,Tolstoi, Eça de Queirós, Dante,Goethe,Graciliano Ramos, poesia e contos dos melhores escritores,

*Ler mais Olavo de Carvalho (apostilas e livros), Pat Buchanan,Chesterton, C.S. Lewis, Bento XVI, João Paulo II,Denzinger,Santo Agostinho, Sto. Tomás de Aquino, Michel Villey, Paulo Ferreira da Cunha, Jónatas Machado, J.J. Gomes Canotilho, Cabral de Moncada, Truyol y Serra, Aristóteles, Platão e Leibniz,

*Estudar bastante Direito Constitucional, Filosofia do Direito, Filosofia Política, Direito Internacional, Ética, Moral Cristã, o problema das seitas, História da Igreja, História da Filosofia,Estudos Brasileiros, Estudos Norte-americanos, Estudos Europeus, Diplomacia e Geopolítica,

*Crescer cada vez mais na Fé, com freqüência maior à Santa Missa, à reuniões na Igreja, grupos de oração e ao sacramento da Reconciliação,

*Cuidar mais dos meus blogs (precisam mesmo!),

*Gerenciar melhor meu tempo, para que eu aproveite cada vez mais cada segundo de que disponho e não desperdice meu tempo com coisas sem importância ou mesmo prejudiciais,

*Seguir com meu curso de Francês,

*Cuidar mais da forma e da saúde,

*Cuidar de preparar as traduções,

Assistir mais e melhores filmes,

*TRABALHAR, TRABALHAR E TRABALHAR!

Dureza? É sim. Mas tenho que perseguir essas metas. Se faço projectos pequenos, jamais poderei realizar grandes obras.

Feliz 2010 a todos!

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

TEMPO

Não há muito que percebi que uma das coisas mais preciosas que temos é também uma das mais desperdiçadas e desvalorizadas: o tempo. Sim, o mesmo do qual falamos o tempo todo. Os dias, os meses, as horas, os minutos, os anos. Cada tempo que passa.

Até há pouco eu não tinha muita noção do tempo. Fazia projectos e mais projectos de futuro sem saber como os pôr em prática, gastava tempo e energia com leituras pouco relevantes, debates inúteis, pessoas insignificantes, sites medíocres, actividades infrutíferas. Para usar um clichê, eu sentia que tinha todo o tempo do mundo, e que não havia por quê me preocupar. Era só curtir o momento e deixar as grandes realizações que eu queria para o futuro para depois. Depois, quando? Bom, eis a questão.

Acontece que não somos imunes à passagem deste mesmo tempo, alvo de tantos descasos. Um dia atentei para o seguinte: tenho 26 anos, estou, portanto, mais perto dos 30 do que dos 20; ainda tenho de terminar a faculdade; tenho de trabalhar e ainda não aprendi muito do que quero saber. Como não ver aí os efeitos do desperdício do tempo? São ou não provas dos problemas da falta de um plano de vida organizado, consistente e que não procrastina?

Foi por meio dessas reflexões com um pano de fundo autobiográfico que mudei. Na verdade, ainda estou mudando. Seleciono cada vez mais minhas leituras, minhas companhias e os sites a frequentar; clarifico melhor meus objectivos e busco realizá-los o quanto antes. Firmei um compromisso comigo mesmo: nesta curta vida que me foi dada por Deus, não quero e não vou dispender meu tempo com picuinhas. Valorizarei mais o meu tempo. Não tenho um minuto a perder.