Às vezes não é fácil mesmo estar em Coimbra. A pressão pelos estudos (ainda mais quando se tem a perspectiva de os terminar em, no máximo, um ano), os afazeres domésticos do dia-a-dia (que aqui parecem consumir mais tempo do que em Fortaleza), diversos cuidados e pequenas concernências podem pesar como uma capa de chumbo sobre nós. Hoje foi um dia assim para mim.
Isso dá-se sobretudo no que diz respeito aos pensamentos: penso na aborrecidíssima tarefa de resolver pendengas documentais (é impressionante a burocracia e a complicação destas coisas por cá!), na dificuldade das provas, no tempo exíguo para cuidar dos afazeres, na adminitração das finanças pessoais, no futuro, no passado, nos que ficaram no Brasil, nos que por cá estão, nos meus projectos intelectuais,nos meus deveres para com Deus…
É duro isso, e às vezes desanima. É quando percebo a necessidade imperiosa de harmonizar os diversos aspectos da minha vida, bem como a importância de colocar Deus no centro dela. Sim, pois dou voltas e voltas até perceber que estou em Suas mãos e nada acontece em minha vida que não seja permitido por Ele. Ele é o único com quem posso sempre contar e de quem dependo absolutamente, pois porque sem mim nada podeis fazer (Jo 15:5).
segunda-feira, 20 de setembro de 2010
quinta-feira, 16 de setembro de 2010
Em Coimbra novamente
Voltei há 9 dias à Coimbra. Vim para resolver de vez minha vida académica; se termino já e começo o mestrado, se termino no fim desse ano académico ao mesmo tempo que começo o 2º Ciclo ou se ainda ficarei 2 anos por aqui, sendo o 2º ano o Mestrado. Até cogitei em largar tudo aqui, mas deixa para lá essa doidice.
A maior surpresa que tive por aqui foi justamente ter, de facto, sentido poucas saudades da cidade quando cá cheguei. Pensei que teria uma grande emoção ao revisitar minha Coimbra amada. Entretanto, o que tive foi uma espécie de serenidade, como se Coimbra estivesse ao lado de Fortaleza e eu não estivesse longe da tricana urbe por mais de 1 ano. Estranho, mas foi o que senti.
Notei algumas mudanças na cidade. A escadaria do Arco da Almedina desapareceu. Em seu ligar está uma rampa. Parte das pedras rústicas daquele espaço foi substituída por um piso de pedras polidas, não sei bem como descrever (sou totalmente leigo em engenharia). As obras de recuperação da Torre da Universidade terminaram, e a mesma está como que um marfim. A Alcáçova, de forma geral, está em muito bom estado. Entretanto, deve-se dizer que parte da Alta está mais suja devido aos grafites, principalmente os feitos pelos moradores das Repúblicas, o que só colabora para degradar ainda mais essa valiosa área de Coimbra. Além disso, o entorno da Sé Velha está meio perigoso à noite. Houve mesmo, há uns dias, uma tentativa de assalto à residência paroquial, segundo me informou o monsenhor João Evangelista Jorge, paroco da Sé Velha e meu grande amigo.
Depois narro mais esse retorno à Coimbra. Ainda faltam mais coisas interessantes para relatar. Até a próxima crônica.
A maior surpresa que tive por aqui foi justamente ter, de facto, sentido poucas saudades da cidade quando cá cheguei. Pensei que teria uma grande emoção ao revisitar minha Coimbra amada. Entretanto, o que tive foi uma espécie de serenidade, como se Coimbra estivesse ao lado de Fortaleza e eu não estivesse longe da tricana urbe por mais de 1 ano. Estranho, mas foi o que senti.
Notei algumas mudanças na cidade. A escadaria do Arco da Almedina desapareceu. Em seu ligar está uma rampa. Parte das pedras rústicas daquele espaço foi substituída por um piso de pedras polidas, não sei bem como descrever (sou totalmente leigo em engenharia). As obras de recuperação da Torre da Universidade terminaram, e a mesma está como que um marfim. A Alcáçova, de forma geral, está em muito bom estado. Entretanto, deve-se dizer que parte da Alta está mais suja devido aos grafites, principalmente os feitos pelos moradores das Repúblicas, o que só colabora para degradar ainda mais essa valiosa área de Coimbra. Além disso, o entorno da Sé Velha está meio perigoso à noite. Houve mesmo, há uns dias, uma tentativa de assalto à residência paroquial, segundo me informou o monsenhor João Evangelista Jorge, paroco da Sé Velha e meu grande amigo.
Depois narro mais esse retorno à Coimbra. Ainda faltam mais coisas interessantes para relatar. Até a próxima crônica.
domingo, 5 de setembro de 2010
Coimbra, aqui me tens de regresso!
Pois é, finalmente chegou a hora. Adiei o quanto pude, mas desde o princípio sabia que esse dia tinha de chegar, mais cedo ou mais tarde. Depois de 378 dias longe de Coimbra, é hora de voltar para a cidade dos doutores e dos estudantes de Portugal. Preciso resolver uns assuntos acadêmicos importantíssimos por lá. Deixo por aqui a família, os amigos e minha namorada muito amada, para reencontrar uma cidade que amo muito, mas que, por ora, me trará mais tribulações, cansaço, aborrecimentos e despesas. É a vida. Que fazer?
Mas no fim de novembro cá me encontro de novo. É rapidinho - três meses passam rápido - e já já estou cá novamente.
Até a volta, Fortaleza amada!
Mas no fim de novembro cá me encontro de novo. É rapidinho - três meses passam rápido - e já já estou cá novamente.
Até a volta, Fortaleza amada!
sábado, 4 de setembro de 2010
Mais um lançamento imperdível!

Mais um interessantísimo lançamento da É Realizações. Mais um interessantísimo livro traduzido pelo Pedro Sette-Câmara. Mais um livro a ser adquirido o quanto antes para a minha biblioteca.
Quem quiser encomendar, que comece.
Drogas e pseudocomparações
Sempre tive o Pedro Sette-Câmara na conta de um homem muito inteligente e um bom escritor. Por isso, quando li seu texto "Da legalização das drogas à união entre Igreja & Estado" tive um certo desapontamento. Nele, Pedro Sette-Câmara pretende refutar a ideia de alguns conservadores segundo a qual a legalização da drogas seria inconveniente, pois faria com que as FARC se tornassem um poder econômico muito maior do que é hoje, através da seguinte comparação:
Pela mesma lógica, vamos pensar na conveniência de defender a reunião entre a Igreja Católica e o Estado brasileiro. CNBB com poder de polícia? I rest my case.
Sinceramente, não vejo o menor sentido nessa comparação. Não vejo como a referida reunião traria benefícios à Santa Madre Igreja ou ao Estado Brasileiro. Nem a Igreja teria mais e melhores fiéis, nem o Estado se santificaria ou se fortaleceria em virtudes. O mais provável é que ambos se deformassem bastante. Nada a ver com o assunto que motivou o post.
Aviso desde já que não vejo nada de absolutamente benéfico em se legalizarem as drogas. Mas se Pedro Sette-Câmara pretende defender essa causa, vai precisar de argumentos melhores do que uma comparação deslocada e uma ironia sem sentido.
Pela mesma lógica, vamos pensar na conveniência de defender a reunião entre a Igreja Católica e o Estado brasileiro. CNBB com poder de polícia? I rest my case.
Sinceramente, não vejo o menor sentido nessa comparação. Não vejo como a referida reunião traria benefícios à Santa Madre Igreja ou ao Estado Brasileiro. Nem a Igreja teria mais e melhores fiéis, nem o Estado se santificaria ou se fortaleceria em virtudes. O mais provável é que ambos se deformassem bastante. Nada a ver com o assunto que motivou o post.
Aviso desde já que não vejo nada de absolutamente benéfico em se legalizarem as drogas. Mas se Pedro Sette-Câmara pretende defender essa causa, vai precisar de argumentos melhores do que uma comparação deslocada e uma ironia sem sentido.
sexta-feira, 20 de agosto de 2010
Mais duas de Lustosa da Costa
Hoje o petista ferrabrás sobralense veio com mais das suas. Vejam esses dois trechos:
Fingindo retirada
O presidente dos Estados Unidos anuncia o fim da guerra do Iraque porque vai deixar, em seu território, apenas 50 mil militares, afora o colossal exército de mercenários, contratados pelo governo desde os tempos de George Bush. Estes 50 mil ficarão no país apenas para proteger as conquistas das companhias petrolíferas americanas da ação dos patriotas que não as aceitam porque surgidas após a guerra contra Saddam Hussein, movida para saquear o país e seu povo. O presidente vai continuar no Afeganistão até sofrer derrota tão humilhante quanto a que suas tropas sofreram no Vietnã.
Ué, há 16 dias não era o mesmo jornalista quem dizia que os EUA não deixariam o Iraque? Que aconteceu? Isso para não dizer que faltou ao jornalista informar ao distindo público que o governo iraquiano, sobre a retirada americana, alegou que as tropas iraquianas não estavam suficientemente estruturadas para manter a ordem no país, o que mais tarde rectificou. Por isso, 50 mil militares ianques permenecerão naquele país, para treinar a polícia e o exército. Até Tariq Aziz, ex-vice premiê de Saddam Hussein, quer que os EUA permaneçam por lá.
Traidor malsucedido
Um renegado bem-sucedido ainda é tolerável. Fracassado é rejeitado urbe et orbe, por todo o mundo. Falo de Fernando Gabeira, que pegou armas contra ditadura no passado e hoje é o ídolo da direita fluminense.
O colunista bem que poderia citar que “direita fluminense” é essa que idolatra Gabeira. Já vi direitistas de várias partes do Brasil, Rio incluso, e nunca vi um que admirasse o exótico deputado do PV.
Fingindo retirada
O presidente dos Estados Unidos anuncia o fim da guerra do Iraque porque vai deixar, em seu território, apenas 50 mil militares, afora o colossal exército de mercenários, contratados pelo governo desde os tempos de George Bush. Estes 50 mil ficarão no país apenas para proteger as conquistas das companhias petrolíferas americanas da ação dos patriotas que não as aceitam porque surgidas após a guerra contra Saddam Hussein, movida para saquear o país e seu povo. O presidente vai continuar no Afeganistão até sofrer derrota tão humilhante quanto a que suas tropas sofreram no Vietnã.
Ué, há 16 dias não era o mesmo jornalista quem dizia que os EUA não deixariam o Iraque? Que aconteceu? Isso para não dizer que faltou ao jornalista informar ao distindo público que o governo iraquiano, sobre a retirada americana, alegou que as tropas iraquianas não estavam suficientemente estruturadas para manter a ordem no país, o que mais tarde rectificou. Por isso, 50 mil militares ianques permenecerão naquele país, para treinar a polícia e o exército. Até Tariq Aziz, ex-vice premiê de Saddam Hussein, quer que os EUA permaneçam por lá.
Traidor malsucedido
Um renegado bem-sucedido ainda é tolerável. Fracassado é rejeitado urbe et orbe, por todo o mundo. Falo de Fernando Gabeira, que pegou armas contra ditadura no passado e hoje é o ídolo da direita fluminense.
O colunista bem que poderia citar que “direita fluminense” é essa que idolatra Gabeira. Já vi direitistas de várias partes do Brasil, Rio incluso, e nunca vi um que admirasse o exótico deputado do PV.
quinta-feira, 19 de agosto de 2010
Leituras Virtuais 5
Razões para celebrar
João César das Neves comenta a história e as comemorações dos 100 anos da República Portuguesa.
Mais um crime do capitalismo
Olavo de Carvalho desmonta uma mentira de Pauo Henrique Amorim sobre a Colômbia.
Como em Pompéia
Diogo Mainardi fala da dependência de Dilma Rousseff em relação à Lula.
João César das Neves comenta a história e as comemorações dos 100 anos da República Portuguesa.
Mais um crime do capitalismo
Olavo de Carvalho desmonta uma mentira de Pauo Henrique Amorim sobre a Colômbia.
Como em Pompéia
Diogo Mainardi fala da dependência de Dilma Rousseff em relação à Lula.
quarta-feira, 18 de agosto de 2010
A flechada democrata e o escudo schopenhaueriano
Está interessante a transcrição do debate entre os três principais candidatos à Vice-Presidência promovido pelo Estadão e transcrito no blog do Reinaldo Azevedo. Chamo a atenção para o seguinte:
Índio: Existe uma enorme diferença entre o mensalão do PT e o do DEM. No Democratas, o (José Roberto)Arruda foi expulso, quem assumiu no lugar dele também e o seguinte também. Foram três expulsos. Diferentemente do PT, onde o José Dirceu está operando para eleger a Dilma. E ainda tem discussões sobre quem ocupa qual ministério, Dirceu de um lado, Palocci do outro. Não é esse tipo de governo que o Brasil precisa. O mensalão se transformou em distribuição de cargos. Não podem mais distribuir dinheiro, mas passaram a distribuir poder.
Temer: É preciso invocar a história brasileira. O Brasil Colônia tinha a história do santo do pau oco, porque se escondia o ouro dentro do santo para que não se entregasse o que era devido a Portugal, o que era irregular. Com isso, quero dizer que a corrupção era uma coisa endêmica no País. Avançamos muito. Nos casos de mensalão, houve uma apuração, e essa gente está sendo processada. É fruto da evolução dos costumes nacionais. Na Câmara dos Deputados, estabelecemos a transparência absoluta. Não há despesa de deputado que não vá para a internet. Quem encontrar falha imediatamente denuncia.
Ora, Índio da Costa refere-se a um caso concreto de corrupção (talvez o mais amplo da História brasileira) e da postura governista ante a situação e o vice de Dilma acha que a questão pode ser resolvida mediante a invocação geral da longa tradição da corrupção política no país. Ora, não está aqui em questão se o Brasil tem uma corrupção endêmica desde a época colonial, mas sim o mensalão e as consequências práticas em relação aos envolvidos. Michel Temer, vê-se, faz aí o uso do estratagema erístico nº 19 de Schopenhauer, isto é, a fuga do específico para o geral, para tentar limpar a culpa do governo do qual faz parte.
Fiquem de olho.
Índio: Existe uma enorme diferença entre o mensalão do PT e o do DEM. No Democratas, o (José Roberto)Arruda foi expulso, quem assumiu no lugar dele também e o seguinte também. Foram três expulsos. Diferentemente do PT, onde o José Dirceu está operando para eleger a Dilma. E ainda tem discussões sobre quem ocupa qual ministério, Dirceu de um lado, Palocci do outro. Não é esse tipo de governo que o Brasil precisa. O mensalão se transformou em distribuição de cargos. Não podem mais distribuir dinheiro, mas passaram a distribuir poder.
Temer: É preciso invocar a história brasileira. O Brasil Colônia tinha a história do santo do pau oco, porque se escondia o ouro dentro do santo para que não se entregasse o que era devido a Portugal, o que era irregular. Com isso, quero dizer que a corrupção era uma coisa endêmica no País. Avançamos muito. Nos casos de mensalão, houve uma apuração, e essa gente está sendo processada. É fruto da evolução dos costumes nacionais. Na Câmara dos Deputados, estabelecemos a transparência absoluta. Não há despesa de deputado que não vá para a internet. Quem encontrar falha imediatamente denuncia.
Ora, Índio da Costa refere-se a um caso concreto de corrupção (talvez o mais amplo da História brasileira) e da postura governista ante a situação e o vice de Dilma acha que a questão pode ser resolvida mediante a invocação geral da longa tradição da corrupção política no país. Ora, não está aqui em questão se o Brasil tem uma corrupção endêmica desde a época colonial, mas sim o mensalão e as consequências práticas em relação aos envolvidos. Michel Temer, vê-se, faz aí o uso do estratagema erístico nº 19 de Schopenhauer, isto é, a fuga do específico para o geral, para tentar limpar a culpa do governo do qual faz parte.
Fiquem de olho.
Heroína da democracia?

Lustosa da Costa, again:
Vamos ver quando a chapa de Cid Gomes, no Ceará, entra toda em sintonia com o favoritismo de Dilma Rousseff contra quem as publicações, que ganharam muito dinheiro com a ditadura, publicam matérias, baseados em órgãos de informação e de tortura a presos políticos. Quando relembram que, jovem aos 22 anos, teve coragem de arriscar a vida pela democracia, longe estão de desmerecê-la. Mostram seu heroísmo que é marca de sua biografia.
Qual heroísmo? O petista ferrabrás sobralense falta com a verdade quando diz que Dilma, “jovem aos 22 anos, teve coragem de arriscar a vida pela democracia”. Dilam Rousseff era membro da guerrilha comunista que então assolava o Brasil. Dilma nunca lutou pela democracia, nunca pensou em transformar o Brasil dos generais numa Suíça, num Reino Unido ou nos EUA. A “democracia” pela qual lutou é o totalitarismo genocida então vigente na URSS, Romênia, Albânia e que ainda vigora, infelizmente, na Coréia do Norte e em Cuba. Aliás, cumpre notar que a ilha de Fidel Castro era a grande inspiração dela e de seus comparsas, e que até hoje exerce fascínio sobre a candidata petista e seus correligionários. Não venha dizer, Sr. Lustosa da Costa, que não sabe disso.
Até quando esses esquerdistas vão falsificar a História para tentar fazer valer sua política?
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