terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Desfazendo os desarmamentistas

Horas atrás, em razão do caos da segurança pública no Ceará (a PM entrou em greve, e os assaltos e arrastões estão à solta), comecei uma discussão sobre o desarmamento civil no Facebook. Lá pelas tantas, o único defensor dessa ideia, crendo ter encontrado todos os argumentos em favor de sua tese, postou este artigo, de 2005, da época do referendo. Vejamos a consistência do mesmo:

O comércio de armas de fogo e munição deve ser proibido no Brasil? Pesquisas de opinião revelam que a maioria da população brasileira apóia o desarmamento. Para evitar a derrota no referendo, os defensores das armas estão distorcendo fatos e difundindo mentiras pela internet.
Previna-se contra elas.


Quem começa a mentir são os desarmamentistas. A opinião pública, à altura, estava bastante dividida quanto à medida mas pendeu para o NÃO no final. Tanto que foi este, concretamente, o resultado do referendo.

O Brasil é o país com o maior número de pessoas mortas com armas de fogo no mundo. Em 2003 ocorreram 108 mortes por dia, quase 40 mil no ano. [Datasus, 2003]. As armas de fogo matam mais do que acidentes de trânsito e são a maior causa de mortes de jovens neste país.

Neste parágrafo, o autor funde na categoria “morte por armas de fogo”, indiferentemente, as mortes por acidente, por causas criminosas, suicídios, bem como as causadas em estrito cumprimento do dever legal. Como criminalizar algo brandido uma estatística tão falseada?

Os defensores das armas dizem que o desarmamento é típico das ditaduras.

O Estatuto do Desarmamento e a Campanha de Entrega Voluntária de Armas foram democraticamente votados pelo Congresso Nacional brasileiro, por isso, não podem ser caracterizados como "ameaças totalitárias". O referendo popular é o instrumento mais democrático de que dispõe a população para decidir sobre leis que vão regular a sua vida.


A relação entre desarmamento e ditaduras é clara, atentando-se para as políticas de Hitler, Stalin, Pol Pot e Mao Tsé-Tung, por exemplo.

Mas logo a seguir o articulista mostra que a sua concepção de democracia é meramente formal, sem um conteúdo, um caráter material. Uma vez referendado, qualquer coisa é “democrática”, até mesmo, por exemplo, a suspensão dos direitos e garantias individuais ou do processo eleitoral.

Os defensores das armas alegam que, em 1938, Hitler desarmou a população da Alemanha permitindo assim o genocídio dos judeus. No entanto, o controle de armas é muito anterior ao Terceiro Reich. Em 1928, a República de Weimar aprovou leis de controle de armas exatamente para reprimir as milícias armadas do partido nazista. Hitler não chegou ao poder pelas armas, mas pelas urnas.

“Controle de armas” é diferente de “proibição de posse de armas”. A posse da CNH e a consequente permissão para dirigir só existe com um controle da emissão daquele documento. Quer isso dizer que o mesmo é proibido?

Nos regimes totalitários, desarma-se a população e armam-se as milícias para melhor subjugar os cidadãos. Nas democracias, a defesa da vida está a cargo de forças públicas de segurança legitimamente constituídas e o objetivo do desarmamento é aumentar a segurança do povo.

Se assim é, acabamos de ser informados que os EUA e a Suíça, por exemplo, não são democracias, uma vez que são países nos quais a posse e o porte de armas de fogo são bastante amplos (a coisa poderia até ser extenda a Portugal, por exemplo, país onde boa parte da população possui armas de fogo, apesar de não ter uma legislação como a suíça ou a ianque). Acho que não é preciso demorar-se mais nestas bobagens.

Os defensores das armas querem nos convencer que não adianta proibir o comércio legal porque os criminosos usam armas ilegais.

O equívoco desta visão está em ignorar que 99% das armas de fogo no país são legalmente produzidas. No Rio de Janeiro, 30% das armas apreendidas na ilegalidade tinham sido vendidas originalmente para "cidadãos de bem", e depois desviadas para o mercado clandestino [Polícia Civil RJ, 2003].


Aqui o autor confunde “armas legalmente produzidas” com “armas ilegalmente adquiridas”. A maioria das armas são produzidas legalmente. Podem ser usadas legal ou ilegalmente. E daí? Óbvio isso, não?

Quem é contra o desarmamento alega que a medida só vai desarmar a "população ordeira" e que os bandidos vão continuar armados. Na verdade, quem combate o estatuto é contra um maior controle sobre as armas de fogo no Brasil pois a maioria dos artigos do Estatuto do Desarmamento dá meios à policia para aprimorar o combate ao tráfico ilícito de armas e para desarmar os bandidos.

Ué, diante de um argumento (bastante realista, por sinal), o autor responde com um rompante retórico? Quer “combater o tráfico ilícito de armas e desarmar os bandidos”? Caiam em cima deles e de quem com eles colaboram, como, por exemplo, policiais corruptos, e não em toda a população.

O estatuto estabelece a integração entre as bases de dados da Polícia Federal, sobre armas apreendidas, e do Exército, sobre o comércio. Agora, as armas encontradas nas mãos de bandidos podem ser rastreadas e as rotas do tráfico desmontadas.

Também pela nova lei, todas as novas armas serão marcadas na fábrica, o que vai ajudar a elucidar crimes e investigar as fontes do contrabando. Para evitar e reprimir desvios dos arsenais das forças de segurança pública, todas as munições vendidas para elas também vão ser marcadas.


Para isso, não precisa desarmar população.

Dizem que a venda clandestina de armas vai aumentar, mas abolir o comércio legal de armas também vai prejudicar o mercado ilegal.

É, uma ou outra arma legalmente vendida pode deixar de chegar aos criminosos. As que chegam via contrabando ou policiais corruptos, por outro lado…

Mais de 50 mil armas por ano são vendidas legalmente no Brasil. A redução da oferta no comércio legal vai levar a um aumento dos preços no mercado ilegal, tornando mais difícil a aquisição. Esta tendência já está comprovada, por exemplo, no estado de Santa Catarina onde, segundo fontes policiais, o preço do revólver calibre 38 quintuplicou no mercado ilegal.

O mercado ilegal independe do comércio legal. Mesmo que o preço das armas aumente, isso pouco importa para o crime organizado, pois este nunca deixou de se armar cada vez mais e melhor.

Todo cidadão tem o direito à legítima defesa da sua família, casa e propriedade.

É um equívoco, no entanto, achar que ter uma arma de fogo em casa é uma proteção. Essas armas costumam ser usadas contra a própria família muito mais vezes do que ser usadas na sua defesa.

Segundo o governo norte-americano [FBI, 2001], "para cada sucesso no uso defensivo de arma de fogo em homicídio justificável, ocorrem 185 mortes com arma de fogo em homicídios, suicídios ou acidentes".


Suicídios e acidentes não podem ser impedidos pelo desarmamento. Quem quer se matar, se não tem um revólver, o faz com uma faca, ou pula de uma elevação, ou toma veneno, etc. Para eles, o desarmamento é um nada. Quanto aos acidentes, vão por uma linha parecida (sabiam que muitas pessoas morrem por…queda da própria altura? Que fazer? Amarrar todos sentados numa cadeira ou deitados numa cama?). Quanto aos homicídios, aí está a legislação penal e os tribunais para os combaterem.

Grande parte dos homicídios com arma de fogo é cometida por pessoas sem antecedentes criminais que se conhecem em conflitos banais que acabam em tragédias como brigas entre cônjuges, entre vizinho, no trânsito. Ter uma arma aumenta o risco, não a proteção!

Isso só ocorre por despreparo dos possuidores de armas, não pela propriedade das mesmas. Isso se resolve mais ou menos da mesma forma que o caso da CNH anteriormente aludido. Mas parece que o articulista se sente mais protegido confiando sua segurança completamente à esta polícia mal paga, despreparada, desmotivada, corrupta e cada vez mais insubordinada.

O movimento pró-armas copia os panfletos da Associação Nacional de Fuzis (NRA) dos EUA e argumenta que carros também matam.

Armas de fogo foram projetadas para matar, carros, não. Os automóveis matam por acidente e não de forma intencional. As armas de fogo matam com eficácia, à distância e sem dar chance à vítima.


O abuso não tolhe o uso, meu caro. Armas não foram feitas “para matar”, mas para proteção. Armas também não matam “intencionalmente”, pois quem tem intenção não é a arma, mas sim a pessoa que a utiliza. O mesmo se pode dizer do carro: é impossível alguém ter a intenção de matar alguém e, para concretizar isso, atropelar outrem?

No Brasil [Datasus, 2002], 63,9% dos homicídios são cometidos por arma de fogo, enquanto 19,8% são causados por arma branca. Facas, paus e pedras também podem ser usados em agressões, mas armas de fogo são muito mais letais: de cada quatro feridos nos casos de agressões por arma de fogo, três morrem.

Ora, se o negócio é “proteger a vida a qualquer custo”, porque não proibir facas, pedras, canetas, paus, garfos, tesouras, etc? Só porque a porcentagem de mortos é menor? Qual o “número ótimo” então?

Em relação aos suicídios, as tentativas com armas de fogo resultaram em morte em 85% dos casos [Annals of Emergency Medicine,1998]. Um conflito doméstico com arma de fogo tem 12 vezes mais chances de resultar em morte do que um conflito doméstico onde usou-se outro tipo de arma [J. of American Medicine]. Quando uma arma de fogo participa do conflito, a vítima raramente tem uma segunda chance!

E? O que foi dito antes sobre o suicídio parece esgotar o problema.

O lobby das armas usa dados questionáveis sobre crimes e homicídios em países onde as armas são rigorosamente controladas.

Até agora, só vi dados questionáveis e mentiras vindos dos desarmamentistas. Por que devo acreditar que agora sim vão começar a falar a verdade?

Na Inglaterra, onde o acesso a armas de fogo é rigorosamente proibido, elas são usadas só em 8% dos assassinatos e essa é uma das razões porque a taxa de homicídios é tão baixa naquele país.

Sim, pouco tem a ver com o rigor das leis criminais daquele país nem com a excelência do preparo da polícia inglesa (índice de resolução de homicídios de 90%). O cidadão é que é o criminoso.

O Brasil já tem armas demais. São 17,5 milhões, 90% nas mãos de civis. Mas os vendedores de armas querem continuar faturando com essa indústria mortal.

Não podia faltar o kirsch retórico-sentimentalóide para fechar esta condenação do direito a autodefesa do cidadão e à sua sujeiçaõ ao Estado ineficiente.

Bom, pelo menos o referendo foi, como dizem os portugueses, “chumbado”. Espero que os leitores tenham tirado proveito desta crítica.

domingo, 1 de janeiro de 2012

Projectos para 2012

*Concluir a Licenciatura em Direito em Coimbra;

*Conseguir o máximo de inserção profissional possível;

*Retomar meus estudos de Francês;

*Preparar-me mais e participar dos concursos públicos que me interessem e sejam possíveis;

*Retornar ao COF;

*Dedicar-me mais às coisas da Igreja (o plano diário de santificação, as orações, a Santa Missa, sacramentos, recolhimentos e a direção espiritual), para crescer espiritualmente;

*Estudar mais Filosofia do Direito, Ciência Politica, Direito Constitucional, Direito Internacional Público, Direito Administrativo, História da Filosofia, Ética, Teodicéia, Teologia Católica, História Moderna e Contemporânea; Diplomacia; e Literatura;

*Ler mais Olavo de Carvalho, Eric Voegelin, Machado de Assis, Miguel Torga, Aquilino Ribeiro, Eça de Queirós, Camilo Castelo Branco, Fernando Pessoa, Graciliano Ramos, Lima Barreto,Dostoiévski, Álvaro Ribeiro, São Josemaría Escrivá, Platão, Aristóteles e Santo Tomás de Aquino;

*Servir cada vez mais e melhor aos que me são caros, especialmente o meu filho;

*Assistir pelo menos 100 filmes (bons!!!);

*Gerenciar melhor meu tempo, para que eu aproveite cada vez mais cada segundo de que disponho e não desperdice meu tempo com coisas sem importância ou mesmo prejudiciais;

*Cuidar mais da forma e da saúde;

*Preparar a tradução de, pelo menos, 2 livros;

*Preparar 3 livros e, se possível, publicar ao menos 1;

Agora, ao trabalho!

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Sobre concursos públicos e concurseiros

Há entre algumas pessoas no Brasil, especialmente entre que simpatizantes do pensamento político liberal, uma tendência a menosprezar o funcionalismo público e, por tabela, os concurseiros, tachando-os de preguiçosos, pouco competentes e naturalmnte menos capacitados do que os funcionários da iniciativa privada.

Trata-se de um erro crasso, estereótipo de uma figura que até que podia ter alguma substancialidade tempos atrás, mas que já passou. Além de que isso é, na melhor ds hipóteses, um liberalismo caricaturizado que revela ignorância do liberal que o sustenta (lembremos, por exemplo de que Adam Smith era um burocrata. Isso para não falar de Roberto Campos, J. O. Meira Penna e J. Guilherme Merquior), os factos mostram o seguinte:

1)A idéia de que a iniciativa privada valoriza a personalidade e a paixão do empregado enquanto que o serviço público anula o indivíduo, transformando em mero cumpridor de ordens é estereotipada e falsa. Nem sempre empresários gostam de funcionários com iniciativa e personalidade (conheço pessoalmente uns assim), bem como, sem paixão, como se manter e crescer trabalhando no Serviço Diplomático, na Magistratura, ou na Polícia Federal, por exemplo?

2)Há muito que a Administração Pública vem acolhendo métodos da iniciativa privada para melhorar sua eficiência, como exigir qualificação contínua de seus quadros e estabelecer metas de produtividade (o órgão em que um primo meu trabalha, por exemplo, faz isso). Seguindo por essa via, a tendência é a de que a imagem da Administração Pública como o destino dos preguiçosos desapareça, por falta de correspondência com a realidade;

3)Tampouco faz sentido dizer que “para ser funcionário público, basta fazer uma provinha”. Quem quer que tenha contato com concurseiros sabe o quanto é preciso estudar para passar em algum certame, especialmente os mais duros, como o do IRBr para a carreira diplomática, das magistraturas ou para Auditor Fiscal da Receita Federal. Quem diz aquilo por acaso já tentou passar num concurso desses, ainda que fosse só para ter alguma ciência do que diz?

4)Falam também em preparo. Isso, obviamente, depende do cargo aspirado. A maioria das pessoas que conheço planeja uma carreira na área jurídica, ou na Receita Federal, Serviço Diplomático ou Magistério Superior. Alguém, dentre os críticos, tem alguma idéia do nível necessário para ser aprovado no concurso para qualquer dessas carreiras? Os certames para Auditor da Receita Federal, por exemplo, nunca conseguem preencher as vagas ofertadas, tão alto é o nível do teste. Para o candidato à diplomata, por exemplo, é preciso, logo no começo, saber inglês fluentemente, ter ótima proficiência em Francês e Espanhol, disponibilidade para aprender outros idiomas, além de conhecimento sólido de Economia, Direito, Ciência Política, Relações Internacionais, etc. Abundam profissionais assim na iniciativa privada?

5)Há também quem ache que funcionários públicos são “pífios”. Como? Juízes, promotores de justiça, diplomatas, professores de universidades estaduais e federais, militares e outros são “pífios2 pelo simples facto de serem funcionários públicos? Cadê a base concreta disso?

6)Tempos atrás se dizia que só quem não realizava sua vocação trabalhava no serviço público. Ué, é tão estranho assim conceber que alguém possa ter vocação para juiz, desembargador, promotor de justiça, militar, diplomata, etc?

7)Como ficam aqueles que se sentem vocacionados a profissões EXCLUSIVAS do serviço público? O que dizer a quem quer ser juiz, policial, promotor público ou diplomata? Que procurem seus arremedos (grosseiros) na iniciativa privada?

8)Os que dizem “não façam concursos públicos! Trabalhem na iniciativa privada” já pensaram, por um minuto sequer, que quem seguir seu conselho restringirá artificialmente suas chances de inserção profissional? Ou pretendem ajudar doutra forma quem tenha dificuldade de arrumar um emprego por põr em prática suas opiniões profissionais?

9)Caso especial do ponto anterior: como ficam aqueles que se prepararam em cursos com pequeno mercado de trabalho (Filosofia, Sociologia, Matemática, etc)? Devem diminuir ainda mais suas pequenas chances de ober um emprego porque uns acham que, trabalhando para o Estado, não verão valorizadas sua “paixão e personalidade”?

10)Finalmente, a questão financeira. Como acadêmico de Direito, vejo que a advocacia, para os iniciantes, não costuma ser uma atividade muito rentável (não é raro encontrar escritórios que oferecem um salário entre 800 e 1000 reais para um advogado em começo de carreira). Isso para quem se dispõe a morrer de trabalhar, de manhã até a noite (alguns escritórios não querem que seus advogados façam certos serviços em horário laboral, como a petição inicial e pedem que sejam feitos pelo advogado-empregado à noite, em casa, quando ele deveria estar descansando e convivendo com os seus). Por outro lado, há vários concursos por aí com salários de 5,7 ou 12 mil reais para nível superior, muitos deles exigindo graduação em Direito. O que dizer para tentar convencer estes acadêmicos de Direito e os recém-formados para não fazer concursos e preferirem a 1ª opção? “Ah, concurso é só decoreba”?

Por isso, não caiam nas falácias propaladas por pessoas assim, como Luiz Carlos Prates. Façam as melhores opções possíveis para a sua inserção profissional, seja no serviço público ou na iniciativa privada. Desde que seja por uma senda honesta, tudo é válido.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Vita Nuova, Michelle!

Há 19 dias a minha vida mudou bastante. De fato, ela já vinha mudando há uns 9 meses, devagarinho, devagarinho. Eu vinha providenciando o necessário, ela também, bem como nossas famílias e alguns de nossos amigos. Sabíamos que iríamos precisar de muita ajuda, toda a ajuda possível. À medida que o tempo passava a ansiedade aumentava, as peguntas ficaram mais frequentese o peso da responsabilidade que vinha e fazia mais presente.

Foi na madrugada de 18 de Novembro passado. Por volta de 1 da manhã ela me ligou. Seria ainda naquele dia. Falara antes com o médico e ele disse que poderíamos esperar até o amanhecer, para irmos ter com ele no hospital.

Assim foi feito. Depois de termos nos perdido no caminho, chegamos ao local. Fizemos todos os procedimentos e, devido às circunstâncias, foi escolhida como solução a cirurgia. Acompanhei tudo, foi mais simples e mais fácil do que pensei.

Às 09:40 da manhã, Miguel Barreto, meu filho, nasceu. Todo roxo, como é de praxe, logo começou a adquirir “cor de gente”. Grande (51 cm) e pesado (3,495 kg), é também muito saudável. Muito lindo também, apesar de ser quase um clone do pai. Tal como sua mãe, dormiu no hospital e saiu no dia seguinte.

Foi um dia de grandes alegrias, dia de sol banhado de sol. Dia de “parabéns!”, “felicidades!” e outras demonstrações de carinho. Mas também, é claro, dia de burocracias. Tudo bem, isso não foi capaz de estragar-me o dia.

Ele mora com a mãe. Particamente tdos os dias vou visitá-los e ajudo em algumas coisas (banho, troca de fraldas, comprar coisas, pôr para arrotar, essas coisas). Hoje estou meio adoentado e pouco posso fazer. Os dois vão bem, apesar das dificuldades.

Eis uma etapa nova em minha vida. Agora sou pai e responsável por uma criança, alma que gentilmente me foi confiada por Deus para que cuide e guarde, para que seja feliz na Terra e depois possa gozar da felicidade eterna no Céu. Ainda não experimentei todas as mudanças que isso traz, mas as compartilharei aqui, na medida do possível.

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Fragmentos da Biblioteca Ideal - Literatura II

Faz tempo que não posto nada sobre a minha biblioteca ideal. Bem, agora dou continuidade à sua parte literária, iniciada aqui. Listarei cá apenas obras da literatura portuguesa:

1) Camilo Castelo Branco: Amor de Perdição, Amor de Salvação, A Queda dum Anjo, Anátema, Doze Casamentos Felizes, A Mulher Fatal, A Filha do Arcediago, A Neta do Arcebispo, Onde está a Felicidade?, Um Homem de Brios, O Que Fazem as Mulheres, Coração, Cabeça e Estômago, O Regicida, A Filha do Regicida, Novelas do Minho, Eusébio Macário, A Corja, A Brasileira de Prazins,Abençoadas Lágrimas, Noites de Lamego, Memórias do Cárcere,Cancioneiro Alegre de Poetas Portugueses e Brasileiros
2) Eça de Queirós: Contos, O Crime do Padre Amaro, O Primo Basílio, O Mandarim, A relíquia, Os Maias, A Ilustre Casa de Ramires, A Cidade e as Serras, A Correspondência de Fradique Mendes, A Capital, Alves e Cia., A Capital, Cartas de Inglaterra, Ecos de Paris, O Egipto, Crônicas de Londres, Cartas de Lisboa, Correspondência
3) Aquilino Ribeiro: Todos os romances, além dos livros de contos Casa do Escorpião, Jardim das Tormentas e sua autobiografia Um Escritor Confessa-se
4) Miguel Torga: Portugal, Rua, Bichos, Contos da Montanha, Novos Contos da Montanha, O Senhor Ventura, Vindima, Diário Completo, Fogo Preso, Odes, O Paraíso, A Criação do Mundo (completo)
5) Branquinho da Fonseca: O Barão
6) José Cardoso Pires: O Delfim, Balada da Praia dos Cães
7) Vitorino Nemésio: Mau Tempo no Canal
8) Sophia M. B. Andersen: Antologia Poética
9) Fernando Pessoa : Opera Omnia
10) Mário de Sá-Carneiro: Opera Omnia

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

A Ucrânia e a União Eurasiana

No blog Notícias da Ucrânia, leio isso hoje.

Yushchenko era categoricamente contra as exclusões. Agora elas existirão. Mais precisamente - já existem: não haverá livre comércio com petróleo, gás, açúcar e álcool. Por enquanto são quatro produtos já conhecidos. Provavelmente haverá muito mais. Podemos supor que a lista de isenções incluirá armas e tubulações. (A Rússia não vai abolir as taxas dos produtos que ela possui e que são importantes e muito necessários aos outros países. Ela vai impor as suas necessidades, mas não permitirá que os outros o façam. Bielorrússia já vive esta situação, mas parece que ainda não aprendeu - O.K.).

Desta maneira, denominar o comércio como livre é complicado. Se o gás e o petróleo não forem incluídos no livre comércio, então falar sobre a liberdade, definitivamente, não vale a pena.

As empresas ukrainianas que consomem o gás russo, mesmo com o imposto de exportação zero, não se beneficiarão com a União Euroasiática. Os produtos russos serão mais baratos porque lá as fábricas consomem o seu gás mais barato.


Eu achava que esse negócio de eurasianismo era mais uma maluquice de uns ideólogos e políticos russos e de brasileiros metidos a "tradicionalistas" do tipo perenialista e admiradores do autoritarismo, mas parece que me enganei. Vou dar mais atenção ao caso, pois ele se mostra como uma força que promete ter grande influência geopolítica num futuro não muito distante.

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Opus Dei em Fortaleza

Em Março de 2012, a Prelazia do Opus Dei inaugurará o seu primeiro centro em Fortaleza. Será também o primeiro centro da Obra no Nordeste. Um grande ganho aos católicos fortalezenses,sem dúvida. Como admirador do Obra, fico feliz em ver uma entidade católica tão séria e respeitável em atividade permanente em minha cidade. Que ela prospere bastante por cá!

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Minha volta II

Fui a Portugal... e já voltei! É, foi uma viagem propositadamente curta, com o intuido de pôr um ponto final em certas coisas, mas foram bem menos do que eu desejava e necessitava os pontos finais postos. Enfim, calhou assim, mas não devo me queixar tanto, uma vez que outras oportunidades se me abriram. Bem, toca agora aproveitá-las e fazer o meu melhor, não?

Não postei nada durante minha estadia em Coimbra por falta de disposição, principalmente, mas também devido à correria que foi a minha vida. Eu já sabia que assim seria, por isso nem me surpreendi. Aliás, eu pensava antes que a agitação seria ainda maior.

Cheguei em Fortaleza no início da noite do dia 06 de Outubro, e já na manhã da passada Quarta-feira tive uma viagem para fazer. Salvador. Fui à capital baiana para o casamento de um primo com uma moça de lá. Vão morar em Londres brevemente. Aproveitei e passeei um pouco da cidade (que eu não conhecia, como aliás não conheço boa parte do Brasil - vergonha, eu sei).Cerimônia do casamento,praia, acarajés, Elevador Lacerda, Pelourinho, etc. Disso foram feitos meus dias até domingo. Mas já estou de volta à luta!

domingo, 25 de setembro de 2011

Minha volta

Volto a postar!

Minha volta repentina à Coimbra foi interessante, inusitada. Estava tudo combinado para eu viajar no dia 10 deste mês, pelo fim da tarde. Um almoço de despedida na casa de uma tia estava a ser preparado para mim. E eu me preparava para isso.

Eis que, na quinta-feira, dia 8, no começo da noite, meu agente de viagem liga para me avisar que um vôo da TAP fora cancelado e que eu não poderia viajar naquele dia. Corremos, eu e meu pai, para a agência para ver o que poderíamos fazer. Tínhamos um problema de deadline, pois eu tinha um exame na segunda-feira, dia 12 e outro na quinta-feira, dia 15.

Depois de muito vasculhar e ponderar, vimos que a melhor (ou menos pior) saída seria um embarque às 5 da matina do dia 09, com escala em Natal e com Paris como destino final (sabe-se lá porquê, o vôo Fortaleza-Paris estava mais barato do que Fortaleza-Lisboa). Foi a corrida para arrumar as malas, trocar o máximo de dinheiro possível e avisar quem pudesse (minha namorada não gostou nada da história, como podem imaginar).

Mas deu certo. Foi duro dormir tarde e acordar lá pelas 4 da manhã para pegar um avião para Natal. Na capital potiguar, horas de espera, mas foi tranquilo. Tentei estudar durante o vôo, mas muito pouco resultou. Sem dúvida alguma, as melhores coisas do avião foram o sono que pude em parte recuperar e a oportunidade de assistir Encontrarás Dragões , o filme que conta uma parte da vida de São Josemaría Escrivá e que eu muito queria assistir.

Cheguei à Lisboa às 23 horas. Já sabia que, a essa hora, não havia autocarros para Coimbra. Já havia reservado um quarto num hotel na cdade, só para passar a noite. Pequeno, simples, mas um bom hotel. Resolveu plenamente o meu problema.

No dia seguinte, depois do pequeno almoço, rumo à Cidade dos Doutores! Nenhuma novidade aí. Minha senhoria estava à minha espera, estava preocupada porque demorei a voltar, e me havia preparado um bacalhau com natas (amo!). Depois dum bom almoço, desarrumar as malas e fazer umas provisões, pois preciso de comida na casa. O resto do dia foi a tentar pôr a vida em ordem, pois tinha exame dois dias depois.

Bem, até onde posso me recordar, é isso. Até o próximo post!

terça-feira, 30 de agosto de 2011

Autoentrevista (I)


Partindo do facto de que não somente a plena prática da Filosofia exige preliminarmente um alto grau de autoconhecimento, mas sim toda a vida intelectual que um homem pode ter, inicio aqui uma série de post que consistem exatamente em auxiliar-me nesse exercício do autoconhecimento, através de entrevistas que faço a mim mesmo, abordando diversos aspectos que me dispertam a atenção e me são importantes. A frequência com que serão postados aqui essas “autoentrevistas” não está determinada, só posso garantir que serão feitas na medida do possível. Começarei por perguntas bastante gerais:


1)Como foi o ambiente em que você cresceu? Isto é, gostaria de saber mais sobre a sua infância

Bom, pode soar bastante simplista, mas eu posso dizer que cresci numa boa família, numa boa casa. Não porque fôssemos ricos – nunca fomos- mas porque o ambiente familiar sempre foi muito agradável e caloroso. Minha mãe sempre pensou no melhor para mim e para a minha irmã, tal como fazia também o meu pai. Ambos trabalharam duro para nos dar um bom nível de vida (estudamos em bons colégios, tínhamos bons brinquedos e roupas e nunca faltou boa comida em casa), mas tudo demandou sacrifícios, às vezes bastante altos. Mais do que isso, só consigo lembrar da minha infância como uma época em que havia muito amor em minha casa assim como em toda a família. Não que nunca houvessem desentendimentos e problemas, é claro que havia, mas nada que ferisse gravemente essa convivência sadia e harmoniosa (acho, aliás, que a única família na qual não houve brigas foi a Sagrada Família).

Vivíamos no terceiro andar de um edifício da Rua Frei Mansueto, em Fortaleza (nos mudamos em 2002). Pelo que me lembro, a vizinhança era boa, tinha alguns amigos entre os meninos do prédio, com os quais brincava bastante. Aliás, as memórias de minha infância são repletas de brincadeiras e felicidade. Foi uma época muito boa, muito construtiva. Pena que perdi contato com todos daquele tempo.

Me dava muito bem com meus primos quando criança e ainda sou bastante chegado a alguns deles. Novamente, ao falar disso, lembro-me das ótimas brincadeiras que tivemos, especialmente nas férias: dormíamos uns na casa dos outros brincando de jogos de tabuleiro, “carimba” (jogo com bola que os sudestinos chamam de “queimado”), bonecos de super-heróis da TV e dos quadrinhos, desenhos animados e séries televisivas infanto-juvenis, etc. Acho que essas brincadeiras, longe de representarem apenas momentos lúdicos, foram importantes para a minha formação e desenvolvimento.


2)E a escola e as amizades?

Tive alguns amigos na escola, não muitos. Acontece que sou um tanto tímido e introspectivo e isso não facilita a conquista de muitas amizades (lembro-me até que, aos 7 ou 8 anos minha mãe me levou para umas sessões com uma psicóloga para tratar dessa minha dificuldade em me relacionar com as outras crianças na escola). Se eu fosse mais expansivo, como a minha irmã, talvez teria hoje uma coleção de amigos. Também perdi contacto com eles. Minha vida, de facto, é feita de uma sucessão de rupturas (risos). Mas não perco de vista o que acontece com o que “se rompeu”.


3)Desde o fim da infância que você demonstra um interesse mais pronunciado pelas Humanidades. Como foi isso?

Sim, desde essa época que eu me interesso pelas Ciências Humanas. Começou com a História, que é como que a primeira das Humanidades que as crianças estudam. Sempre me fascinaram os relatos históricos e eu achava incrível recriar em minha mente aqueles factos narrados nos livros. Obviamente, por esta época, o meu interesse por História não era exatamente científico (não tinha nada desse negócio de metodologias, bibliografia indispensavel, clássicos, etc). Ele era como que uma extensão do meu gosto por filmes, seriados e desenhos animados. Com o passar dos anos e o meu amadurecimento é que isso mudou, passando a História a ser algo como um irmão da Política até ser algo como uma conhecimento de necessidade existencial. Mas até hoje não se como se pode estudar História sem tentar reviver aquelas narrativas na própria mente e na própria alma (salvo engano, Benedetto Croce disse algo nesse sentido).

No rastro da História veio a Geografia, que é meio hibrida, já que junda aspectos das Humanidades com as Ciências Naturais. Era uma matéria da qual eu gostava bastante na escola, especialmente da parte humana. Confesso, porém, que desde que ingressei na Universidade não li mais nada sobre geografia.

A Filosofia veio do estudo mais demorado da História. Eu, muito interessado pela Grécia Antiga, pela Idade Média, pelas civilizações orientais (sempre tive interesse enorme pela China e pelo Japão) e pelos séculos XVIII, XIX e XX, não podia permanecer indiferente ao que os filósofos dessas épocas diziam e pensavam, já que era parte importante da História e que, muitas vezes, transcendia a sua época, fazendo discípulos e continuadores em outras épocas e lugares. Aí minha atração pela matéria foi se acentuando, até que conheci o filósofo Olavo de Carvalho ( já com mais ou menos 18 anos) e a filosofia passou a ter maior importância na minha vida.

A Sociologia começou, comigo, como irmã da História e da Ciência Política, mas anda não dei a devida atenção a ela. Já atentei mais para a Ciência Política, que pretendo estudar a fundo. Já cogitei em fazer vestibular para Sociologia em 1999, mas acabei trocando, meses depois, pelo Direito, onde estou até hoje.

O Direito é o “caçula” das Humanidades, mas foi o scolhido como curso superior. Eu diria que tenho uma relação complexa com ele, alternando entre o amor e o ódio, mas desde já afianço que ele não deixará, jamais, de fazer parte da minha vida, seja qual for o rumo que ela tome. Ainda pretendo escrever um texto sobre isso noutra hora.


4)Sei que você teve também interesse grande em ciências naturais. O que aconteceu? Como está isso hoje?

Sim! É que, quando criança, eu me interessava muito por dinossauros. Sabia os nomes de muitos deles, o que comiam, em que época viveram, etc. Esse interesse me levou a pesquisar sobre a história natural do mundo, desde as eras mais primárias até à época actual. Era um fã de Darwin, embora nunca tenha lido A Origem das Espécies (até hoje ainda não li, aliás). Quando criança, aliás, falava seriamente em seguir a carreira de paleontólogo (risos), pensava em fazer faculdade de Biologia e talvez até um pouco de Química, essas coisas. Mas foi um interesse passageiro, que não tem mais grande influêencia sobre mim hoje.


5)E as Exatas?

Nunca fui afim das Exatas. Não que não veja lógica na Matemática ou na Física. Acontece que, como qualquer criança, a primeira ciência exata que a escola me apresentou foi a matemática. E o que se passa é que, quando eu estudava aquilo, eu não via correspondência alguma na realidade, tudo aquilo era para mim uma abstração total, bem diferente do que o que eu via quando estudava História ou lia um livro de ficção. Essa antipatia acabou passando sem dificuldade para a Física, embora eu gostasse mais dela do que de Matemática, justamente porque eu conseguia ver alguma coisa real na Física, e para a Química, que demanda um bom conhecimento matemático também. Confesso que, semanas após os exames vestibulares, já tinha esquecido boa parte da minha educação em Exatas e actualmente não sinto grande falta dela.