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terça-feira, 15 de março de 2011

No dia 8 de Março corrente, Pedro Sette-Câmara publicou em seu twitter:

Quem compra drogas financia o tráfico. Mas quem anda de carro e ônibus também financia ditaduras árabes. Quer pureza, vai pro mosteiro.

Pode ser. Entretanto, cumpre-se notar que quem usa veículos automotores não têm nem intenção nem responsabilidade pelas ditaduras árabes. Ninguém escolhe a procedência do petróleo usado para fazer o combustível que usa. Além disso, drogas são completamente dispensáveis e seus usuários sabem bem o crime que financiam. Os utentes de combustível, por outro lado...

sábado, 4 de setembro de 2010

Drogas e pseudocomparações

Sempre tive o Pedro Sette-Câmara na conta de um homem muito inteligente e um bom escritor. Por isso, quando li seu texto "Da legalização das drogas à união entre Igreja & Estado" tive um certo desapontamento. Nele, Pedro Sette-Câmara pretende refutar a ideia de alguns conservadores segundo a qual a legalização da drogas seria inconveniente, pois faria com que as FARC se tornassem um poder econômico muito maior do que é hoje, através da seguinte comparação:


Pela mesma lógica, vamos pensar na conveniência de defender a reunião entre a Igreja Católica e o Estado brasileiro. CNBB com poder de polícia? I rest my case.


Sinceramente, não vejo o menor sentido nessa comparação. Não vejo como a referida reunião traria benefícios à Santa Madre Igreja ou ao Estado Brasileiro. Nem a Igreja teria mais e melhores fiéis, nem o Estado se santificaria ou se fortaleceria em virtudes. O mais provável é que ambos se deformassem bastante. Nada a ver com o assunto que motivou o post.

Aviso desde já que não vejo nada de absolutamente benéfico em se legalizarem as drogas. Mas se Pedro Sette-Câmara pretende defender essa causa, vai precisar de argumentos melhores do que uma comparação deslocada e uma ironia sem sentido.